Atualmente, estou no interior de São Paulo. Para me conectar com o mundo, comprei uma TV Box da Claro. A TV me oferece vários canais. Tem canal italiano, inglês, espanhol até brasileiro. Só não tem canal de São Paulo. Hoje, a TV Box escolheu uma certa "TV Integração" de Juiz de Fora. No SBT, é um pessoal de Minas. Na Bandeirantes e na Record, igualmente. É tudo trem bão. O problema é que não moro em Minas. Estou em São Paulo. Gostaria de me informar sobre como estão as coisas em... São Paulo.
Antes dos mineiros, a TV Box me ofereceu os cariocas. Todos os telejornais - da Bandeirantes, SBT, Rede Vida, Globo, Record - todos eles eram do Rio de Janeiro. Se eu fosse para o Rio, dar um passeio por lá, tomando cuidado para não levar tiro no Complexo do Alemão, até seria legal ter informações sobre os fluminenses, só que não. Não tenho a menor vontade de passear no Rio. Vou sempre preferir São Paulo, apesar de Vinícius Moraes criticar a cidade, dizendo que você anda em São Paulo, anda, anda e anda e nunca chega na praia. Graças a Deus, Vinícius. Felizmente! Odeio praia. Odeio gente melecada de óleo, repelente, hidratante. Detesto aquelas barracas com som no último volume. Muita gente barriguda, cheia de pelanca, engordurada e areia grudenta no corpo. Aquele cheiro de cerveja quente e farofa. Sem esquecer do mar poluído e das viroses.
E antes dos cariocas, a TV Box me dava de presente o pessoal do Espírito Santo. Não conheço ninguém no Espírito Santo. Nos próximos dez anos, tenho certeza de que não irei a Vitória, nem a trabalho, nem a passeio.
E aí era um revezamento: um dia, eram os telejornais cariocas; no outro dia, os do Espírito Santo; os de Minas. Uma manhã, apareceu até um telejornal de Pernambuco, veja você. Quase todos os estados do Brasil apareciam na minha TV, menos os do estado onde eu moro. Uma pena.
Me senti logrado pelo Tiago Leifert. Ele parecia tão feliz com a Claro. Ele me convidava a ser feliz também. Venha pra a Claro, ele falava, você merece o novo. Eu queria o novo, queria ser feliz.
Então, tem início o sofrimento. A tentativa desesperada de entrar em contato com a Claro e reclamar da TV Box. A Claro tem um aplicativo que não funciona. Foram dezenas de tentativas em pedir assistência técnica. O aplicativo perguntava:
"Olá, bom dia!
Hum, deixa eu ver como eu posso te ajudar 🤔
Eu consigo te ajudar com diversos serviços da Claro 😊
Escolha uma das opções:
Fatura
Suporte técnico
Outros assuntos".
Aí tinha início a romaria. Eu clicava em "suporte técnico". Mencionava problema nos canais da TV e depois de várias perguntas e respostas, saía a sentença devastadora:
"Desculpa, houve uma falha no nosso sistema 😳
Volta mais tarde que eu consigo te ajudar!"
Acho legal esses imojis. Eles tornam a mensagem incompetente mais incompetente ainda. É como se uma criança meio aparvalhada ficasse em dúvida na hora de somar dois mais dois e desenhasse uma carinha engraçada, para o professor exigente riscar com caneta vermelha e lhe meter um zero na cabeça.
Desisti do aplicativo, Tiago Leifert. Liguei para o telefone da Claro. Atendeu uma pessoa. Felizmente. Não era um robô burro. Era uma pessoa. Expliquei o problema. Ela demorou para entender, mas conseguiu. E me perguntou: "A sua TV Box não está funcionando?". "Está", falei. "A TV Box funciona normalmente, mas os telejornais que são exibidos vêm de outros estados e não de São Paulo." Ela resolveu o problema. O problema dela. Desligou o telefone na minha cara, Tiago Leifert.
Enfim, peguei o carro. Fui tipo "on the road", estrada afora. Percorri quarenta quilômetros. Paguei o pedágio caro do nosso querido governador Tarcísio. Cheguei nessa outra cidade, onde tem uma lojinha da Claro.
Um rapaz, muito solícito, me atendeu. Ligou para algum lugar misterioso e disse: "Vamos trocar a sua TV Box. Amanhã, de manhã, irá um técnico na sua residência e vamos substituir o aparelho". Saí da lojinha, feliz da vida, cantando e saltitando, como Dorothy, depois de conhecer o Homem de Lata. Percorri outros quarenta quilômetros. Paguei novo pedágio para o nosso amado governador. E cheguei em casa.
Pena que, no dia seguinte, ninguém apareceu, Tiago Leifert. Ninguém. Aí chorei muito, como o pequeno Simba ao se deparar com o corpo sem vida de Mufasa.
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