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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Saudades de Stieg Larsson


Não sei você, mas sinto saudades de alguns livros e de determinados autores. Stieg Larsson, por exemplo, sinto uma saudades tremenda dele. Quando meu ex-sócio, James Capelli, me deu de presente de Natal Os homens que não amavam as mulheres, passei aquele final de ano hipnotizado pela trama, criada pelo autor sueco. 

Larsson era um mestre em imaginar enredos de suspense, com personagens que a gente podia tocar com a nossa imaginação. Li toda a série Millenium (A rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo; A rainha no palácio das correntes de ar - em português de Portugal fica tudo muito estranho). Amei cada linha. Não conseguia parar de ler. 

O quarto livro da série, escrito por um jornalista, contratado pela editora de Larsson, A garota na teia de aranha, foi um momento de constrangimento editorial. Depois da morte de Larsson, não teria cabimento tentar usar originais incompletos, que ele havia deixado, para produzir um quarto livro. A tentativa teve sabor de ganância. Deixou um cheiro ruim no ar. 

Hoje, neste feriado religioso, estou lendo Anna Karenina. Como aquele personagem de Murakami, estou no capítulo 12 e até agora não me encontrei com Anna Karenina. Em algum momento, ela deve dar as caras. Vamos prosseguir...

Ontem, à noite, véspera do feriado, tive o prazer de ficar quatro horas dentro de um carro. Chovia. Estava no Rodoanel. Diante dos meus olhos, havia milhares de lanternas vermelhas de carros, caminhões, ônibus, kombis, todos estacionados, todos se movendo lentamente. Um percurso que você faria em quarenta minutos, levou quatro horas. 

Ainda bem que o Rodoanel investiu milhões naqueles painéis luminosos, que ficam na entrada da rodovia. Só que, ao invés de o painel informar que a estrada estava parada, as luzes amarelas do anúncio luminoso aconselhavam candidamente que estava chovendo e que era preciso dirigir com cuidado. 

A pergunta que não quer calar: pra que serve o painel luminoso, se não é capaz de informar que a droga da rodovia está parada e você vai se ferrar se optar em seguir naquela direção? É claro que está chovendo. É claro que vou dirigir com cuidado, principalmente, porque a única velocidade possível em um congestionamento monstro é 10 km/h. 

No site de notícias, me deparo com três nomes que não tenho a menor ideia de quem são: Whindersson, Laureta e Ana Paula Renault. Essa Ana Paula seria herdeira do senhor Renault, que produz carros na França e mundo afora? E esse rapaz de nome estranho - Whindersson? Que mãe desnaturada dá o nome de Whindersson para um filho? E essa Laureta...Um mistério. 

Reportagem informa que a Árabia Saudita permitiu que as mulheres dirijam carros. Seria um avanço. Único problema: para ser motorista, é preciso tirar uma carteira de habilitação. E como as mulheres, sob o tacão da religião muçulmana, são proibidas de ficar ao lado de um homem, que não seja o marido ou parente, elas não podem se matricular na auto-escola, porque, evidentemente, o instrutor é homem. Então, elas podem dirigir, mas, na prática, não vão dirigir. Alá não deixa. 

O caso Marielle Franco - sete meses sem solução, sem a prisão dos assassinos - inaugurou uma nova dupla caipira, chamada Os Incompetentes, formada por Raul Jungmann e general interventor Braga Netto.

Tenho visto gravações de gays e lésbicas, reclamando de agressões. Um deles aparece chorando. Sinceramente, vamos deixar de ser vítimas. Vamos pra cima deles. Chega desse discurso de vitimização. Filmes como Milk - a voz da igualdade e Stonewall podem servir de inspiração.

E chega de conversa mole. Vou me encontrar com Anna Karenina. 

Beijos.     


     

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

De virada é mais gostoso


O então candidato Rodrigo Amorim, do PSL, quebrou a placa em homenagem à vereadora Marielle Franco, covardemente assassinada a tiros no Rio de Janeiro, em 14 de março. Por esse ato de vandalismo explícito, esse gesto de ódio, publicado nas redes sociais, Amorim foi premiado pelos eleitores. Amorim foi o candidato a deputado que recebeu mais votos no Rio. Marielle era negra, homossexual e ativista política. Um combo magnético para atrair bolsonaristas do calibre de Amorim. 

Por falar em Marielle, o interventor federal no Rio de Janeiro, general Braga Netto, ainda não conseguiu prender os assassinos de Marielle. O crime aconteceu em março. Estamos em outubro. Por que será que as investigações não caminham? Por que será tão difícil chegar aos assassinos? É só incompetência ou tem algo mais? Com a palavra o ministro da Segurança Pública de Temer, Raul Jungmann. 

Na Band News, o âncora Ricardo Boechat criticou os ataques que Bolsonaro vem sofrendo de acadêmicos e jornalistas do exterior, que acusam o candidato do PSL de ser homofóbico, racista, misógino, pró-ditadura e pró-tortura de presos políticos. Boechat disse que os analistas internacionais têm esquecido do apoio do PT à Venezuela. 

O âncora da Band News citou a presidente do PT, Gleise Hoffmann, que afirmou que a Venezuela é vítima do imperialismo e sofre ofensiva da direita, com o objetivo de desestabilizar o país. Ou seja, o PT apoia a ditadura de Nicolás Maduro e, indiretamente, apoia também os crimes praticados contra dissidentes políticos ao não se posicionar de uma forma mais clara.

Cá entre nós, alguém duvida que os norte-americanos não estejam tentando desestabilizar o governo venezuelano? Alguém põe em dúvida que o regime de Nicolás Maduro sofre interferência direta das forças de direita? 

É claro que a mídia vai usar a presidente do PT para atingir Haddad. Mas existe alguma possibilidade de o Brasil se transformar em uma Venezuela, se Haddad for eleito? O PT esteve 13 anos no poder e não virou Cuba, nem Venezuela. 

Fico ouvindo esses âncoras, como Boechat, tentando caminhar no fio da navalha de uma suposta imparcialidade, e me dá pena deles. Imagine as pressões que não devem sofrer para bater em Chico e Francisco (talvez bem mais em Chico do que no Francisco). Boechat foi militante do PCB. Ou seja, tem a esquerda no DNA. As pessoas mudam. Mudam o corte de cabelo. Mudam o jeito de se vestir, mas as paixões...As paixões continuam sempre lá. Dentro da gente. E vão morrer conosco.

Felizmente, não trabalho na Bandeirantes, nem na Globo, nem na Folha. Pense só no que acontece nos bastidores pré-eleitorais. Dê uma olhada nas pautas. A mídia empresarial foi decisiva para a queda de Dilma. A Globo News cobria exaustivamente as manifestações do MBL. Veio o golpe, a presidente Dilma - eleita democraticamente - foi deposta e a articuladora do impeachment, a professora Janaína Paschoal, premiada com 2 milhões de votos. 

Se antes, eu ia religiosamente à banca de jornais, hoje, isso não é mais possível. Não há mais bancas de jornais. A leitura eletrônica é irritante (sempre aparece um anúncio, um vídeo intrometido). E o pior: não me identifico mais com nenhum veículo. 

Às 6h30 desta quarta-feira, recebo uma mensagem de um amigo de infância. É um comunicado do bolsonarista delegado Francischini, informando "em primeira mão" que as urnas eletrônicas são fajutas. Aviso que a notícia é falsa. Mando uma notícia, informando que o mesmo Francischini havia pago R$ 24 mil para uma empresa, especializada em propagar fake news (boatos). Enfim, é cansativo. 

Por essas e outras, seria delicioso ver Haddad eleito. De virada é sempre mais gostoso.  



  

   



   

A primeira travesti do Bois de Boulogne

  Livro conta a história de Paul/Suzanne O escritor Marc Lefrançois ( marc.lef01 ) , autor de "Les grandes criminelles de l'Histoir...