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quarta-feira, 12 de junho de 2019

O pior de tudo é que a novela Neymar/Najila ainda não terminou


Começou no dia 1º de junho. Foi quando a mídia descobriu que a modelo Najila Trindade havia registrado, na véspera, um BO contra Neymar por estupro. 

A mídia enlouqueceu. Foi uma correria. Só se falava nisso. Você ia na padaria. O assunto era Neymar. Você estava em um enterro. Alguém se aproximava respeitosamente e dizia, sussurrando: "E o Neymar, hein?" Na TV, nas rádios, na internet, nos malditos grupos de WhatsApp só se falava disso. 

O pior é que essa novela talvez seja daquelas longas, intermináveis, insuportáveis. Amanhã, 13 de junho, lá vai Neymar novamente prestar depoimento, passando pelo corredor polonês de milhares de repórteres, câmeras, policiais, seguranças, fãs, curiosos, helicópteros, carros comuns, carros blindados, viaturas. Um pandemônio.

A história começa romanticamente no Sofitel Paris Arc de Triomphe - hotel cinco estrelas, na rue Beaujon, com a diária mais baixa custando a bagatela de R$ 1.800,00. Após breve troca de mensagens pelo aplicativo Instagram, Najila chega ao hotel para ter um encontro sexual com seu ídolo. 

O que aconteceu naquela noite ninguém saberá dizer. Apenas os dois. E os dois têm versões diferentes. Então...Pobres de nós, mortais...

Najila retorna ao Brasil. Espera passar 15 dias. Contrata o advogado José Edgar Bueno e diz que foi vítima de agressão. O advogado assume a causa, mas fica pouco tempo no "cargo". Quando descobre que ela havia feito um BO por estupro, decide pular fora do barco Najila.

Najila concede uma entrevista exclusiva ao bom repórter Roberto Cabrini, do SBT. Para não ficar atrás, a Globo divulga imagens inéditas, gravadas no hotel. 

Aí, para a novela não perder o pique, a gente assiste estupefato um vídeo da Najila descendo o braço em Neymar. O infeliz está deitado na luxuosa cama do Sofitel Paris, levando bordoada atrás de bordoada. Completamente vestido e de boné, ele põe os pés calçados com um tênis chique para cima, enquanto a moça desce porrada nele. 

Ela contrata outra defensora - Yasmin Abdalla - que também puxaria o carro, pouco depois. Vem um terceiro advogado, o monarquista e descendente direto do Conde de Bobadela, Danilo Garcia de Andrade, de cabelos escuros, oleosos, fartos e barba negra cerrada. 

Najila afirmava que tinha um vídeo que comprovava tudo: as agressões e o estupro que teria sofrido de Neymar. O advogado pede o vídeo. Ela diz que a prova está em um tablet. 

Ela vai prestar depoimento na polícia. Tem um piripaque. Desmaia e sai carregada pelo advogado, em uma cena que somente o nosso noveleiro preferido, Walcyr Carrasco, conseguiria imaginar. 

Correndo por fora, a mídia trazia a cada hora uma novidade. Ficamos sabendo, em um capítulo, que Najila estava sendo despejada de seu apartamento e que não havia pago um curso na Escola Panamericana de Arte e Design. Devia, por baixo, uns R$ 30 mil. 

Outro dia, outro capítulo: descobrimos que Najila havia esfaqueado o ex-marido, Estiven Alves. Em entrevista, Estiven confirmou a facada: "Foi no peito. Eu me internei". Tinha até BO.

Para se defender, Neymar publicava as mensagens que havia trocado com a modelo. Mostrava fotos dela, em posições sensuais. 

O cantor pagodeiro Zula jurava que não queria se promover, mas comemorava que seu vídeo Fogo Cruzado, até então obscuro e poucos visto, com a participação de uma seminua Najila, estava bombando na internet, com 1 milhão e 600 mil visualizações. 

Nessa altura da novela Neymar/Najila, o advogado monarquista abandona o caso, argumentando que ela não havia entregado o tablet com as provas. Pior: Najila dizia que quem tinha surrupiado o tablet havia sido o advogado. 

Najila garante que o tablet foi roubado. O condomínio onde ela mora diz que não houve roubo nenhum e o porteiro do prédio - pra variar - registra um BO contra a modelo por ameaça e intimidação. A polícia vai até o local e tira impressões digitais. Só aparecem duas impressões: a da própria Najila e de uma empregada. Najila, por seu turno, acusa a polícia, dizendo que foi todo mundo comprado.

Durma-se com um barulho desses!


segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Neymar e o futebol arte


Tarde de domingo, debaixo de chuva. A água corria solta pelo telhado e se arrebentava no quintal. O sol tinha desaparecido e dava impressão de nunca mais retornar. De repente, a sala encheu-se de luz, de claridade. A tarde escura e chuvosa transformou-se. Encheu-se de luz. A TV exibia o jogo entre PSG (abreviação de Paris Saint Germain) e Toulouse. Em campo, Neymar.
Responsável pela conquista do ouro olímpico (sonho sonhado por tantas gerações) em cima dos impiedosos alemães, Neymar vale cada centavo dos famosos 222 milhões de euros que o milionário Al-Khelaïfi, dono do PSG, pagou por ele.
Contra o Toulouse, time bem armado e honesto dentro de suas limitações, Neymar fez dois gols, deu passe de trivela em escanteio, sofreu pênalti e fez um gol arrebatador, digladiando-se contra cinco defensores toulousianos. Nesse lance, brigou pela bola, puxou daqui, tirou de lá, driblou mais um, driblou outro e ficou frente a frente com o goleiro, arrematando de forma impiedosa, certeira, cirúrgica marcando o sexto tento da goleada. Só vi Pelé fazer igual. Coisa de craque, a plenitude do futebol arte.
A TV aberta exibia, no mesmo horário, Avaí e São Paulo. Os dois lutando para sobreviver na série A. Comparado com o PSG e Toulouse, o jogo do time paulistano contra o catarinense era o mesmo que você estar hospedado em um hotel cinco estrelas e, de repente, ser transferido para uma pensão modesta na Barra Funda, daquelas com faixa suja de fuligem na porta: "Aluga-se quartos". Assim mesmo com erro de português para ficar mais deprimente.
O dinheiro do árabe milionário colocou na prateleira do PSG brasileiros selecionáveis como Daniel Alves, Thiago Silva, Marquinhos e Lucas (Thiago Motta agora virou "italiano", por causa da dupla nacionalidade).
O dinheiro multinacional tirou todos os craques do Brasil. Hoje, o Brasileirão é um campeonato medíocre, disputado por equipes medíocres, sem craques, sem atrações. Levantamento feito por esse comentarista que gosta de números - PVC (Paulo Vinícius Coelho) - revela que, em apenas 27 por cento das partidas, o time vencedor teve mais posse de bola. São times defensivos, medrosos, despidos de talento e de brilho. O futebol brasileiro é o espelho de um país que perdeu o rumo, a arte, a alegria.         

A primeira travesti do Bois de Boulogne

  Livro conta a história de Paul/Suzanne O escritor Marc Lefrançois ( marc.lef01 ) , autor de "Les grandes criminelles de l'Histoir...