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segunda-feira, 18 de março de 2019

Prefeituras preguiçosas, concessionárias incompetentes, reestatização e salve-se quem puder

Não sei onde é, mas a minha rua é igual 


Você sabe que está no Brasil ao trafegar pelas ruas de suas cidades. Sobram buracos, espalham-se armadilhas invisíveis, imperam o descaso, a omissão, a ausência do poder público. 

Fico pensando o trabalho que deve dar ser eleito prefeito de algum burgo... 

Precisa fazer campanha, correr atrás de eleitores, pegar criancinha chata no colo, comer coxinha de boteco. Não é para qualquer um. O sujeito tem que ter muita disposição e foco. 

Na primeira semana, eu já desistia. Os eleitos vão em frente. Conseguem os votos necessários. Sentam naquela cadeira, onde está escrito "prefeito" e...

O que será que eles ficam fazendo o dia inteiro?  

No meu dia a dia, sou obrigado a trafegar por ruas e avenidas da região metropolitana de São Paulo, inclusive dentro da própria capital. E todos os dias me pergunto o que esses prefeitos preguiçosos ficam fazendo que não conseguem o mínimo, que é fazer a manutenção das ruas. Se fizessem só isso, já seria uma realização notável.

Não queira estar no meu lugar, caríssima leitora, nem pense em circular de carro por cidades como São Paulo, Carapicuíba, Cotia, São Bernardo, Santo André, Osasco, Diadema. É deprimente topar com tanta irresponsabilidade do poder público. 

Caro prefeito, será tão difícil assim asfaltar uma rua? Tapar buraco? Refazer o asfaltamento? Manter as ruas sinalizadas, iluminadas, adequadas do ponto de vista da cidadania?

São anos e anos convivendo com essa tragédia. Sim, é também uma tragédia você pagar seu IPTU, seu IPVA, e não receber a retribuição mais elementar que é a garantia de trafegar com segurança e tranquilidade. 

Todos os dias caio em buracos. Buracos grandes, imensos, pequenos, médios, de grave e baixa intensidade. Buracos, buracos e buracos... Não é só na época de chuva, não senhora. Os buracos estão ali nas quatro estações do ano. 

Em Sorocaba (SP), moradores têm sinalizado os buracos da cidade com a foto do prefeito José Crespo (DEM), em plaquinhas (ver abaixo).


Em Sorocaba, moradores colocam fotos do prefeito nos buracos

Não adianta falar em privatizar a prefeitura, porque estamos até aqui desses serviços públicos privatizados, que prestam um lamentável serviço à população. 

A Enel (a nova Eletropaulo) é incapaz de manter por uma semana inteira - de domingo a domingo - a luz. Quase todo dia, acontece uma falha, uma queda súbita no fornecimento de energia. 

A CPFL, no interior, é uma bagunça. Você paga a conta e eles mandam avisar que a conta não foi paga. Envia o comprovante e eles não respondem. 

De onde veio tanta gente incompetente assim? 

Veio da privatização, da entrega dos serviços públicos a gente incapaz de fazer o que se espera deles. Na Europa, já se aplica a reestatização, por motivos óbvios: a empresa privada presta um serviço imprestável. 

Trafego também pelo Rodoanel Mario Covas, caríssima leitora. Para ter direito a isso, sou obrigado a pagar pedágio. Na ida e na volta, gasto 11 reais e oitenta centavos para dirigir em ritmo de rally, desviando da buracada. É buraco na ida e buraco na volta. 

As concessionárias (CCR e SPMar), que administram a buraqueira,  não são incomodadas. Os fiscais da Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) estariam dormindo? Basta dar uma volta pelo Rodoanel e constatar a buraqueira, a ausência de serviços elementares de manutenção. 

Vamos enviar despertadores, daqueles antigos que faziam um barulho desgraçado, para acordar a fiscalização da Artesp.  


Acorda, Artesp!!!


Ontem, naquela chuva implacável, achei que o pneu tinha furado. Parei o carro no acostamento e - surpresa - fiquei ensopado até os ossos e os pneus estavam nos conformes. O falso barulho de pneu furado era mesmo o piso defeituoso do Rodoanel. 

Se fosse colocar fotos do governador João Doria (PSDB) em todos os buracos do Rodoanel, acho que ficaria mais barato asfaltar os 172 quilômetros da rodovia. Haja foto do Doria para tanto buraco. 

A rua onde moro na Granja Viana é de terra. Gosto que a rua seja de terra. Durante o verão, não transmite calor como o asfalto. Gosto desse jeito rústico de morar. Só não acho legal a prefeitura não fazer a manutenção das ruas. Quando a situação torna-se limite, com buracos, lama, deixando as vias intransitáveis, é preciso implorar para as "autoridades competentes":

"Por favor, passem uma máquina na nossa rua, que aliás nem é mais rua, é só buraco".  

Como se a gente morasse de graça... 

Aliás, como estamos no mês de março e o carnê do IPTU não veio, acho que a prefeitura entregou os pontos. "Vamos parar de fingir, pessoal. Não temos capacidade de arrumar e iluminar as ruas. Por isso, não vamos mais cobrar IPTU. Fica por conta de vocês agora. Boa sorte".

E salve-se quem puder.  

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Concessionárias prestam péssimo serviço à população



Sexta-feira, 25 de janeiro. Uma descarga elétrica irrompe dentro de casa e derrete o modem. Ligo imediatamente para a Vivo. A atendente diz que um motoboy irá trazer o modem "em cinco dias úteis". Digo que não posso esperar tanto tempo, que tenho trabalhos para entregar e dependo da internet para a transmissão de dados. Ela ouve e responde: "o motoboy irá levar o modem em cinco dias úteis". A conversa acaba em bate-boca. Eu digo que preciso urgente do modem e ela, como uma máquina ranzinza, repete o bordão: "cinco dias úteis"...Nos próximos dias, a Vivo irá me ligar várias vezes ao dia. Não é uma pessoa, mas uma gravação eletrônica, afirmando que "o problema foi resolvido". Porém, "caso não tenha sido resolvido"...Como assim? Que empresa maluca é essa? Foi ou não foi resolvido? Ligo para a Vivo uma, duas, três, quatro, cinco...Várias vezes...Os atendentes prometem que um técnico irá aparecer entre 8h e 12h do dia seguinte...Terminado o prazo, sem que o técnico tenha dado as caras, ligo novamente para a Vivo. A atendente, parecendo genuinamente surpresa, "o técnico não apareceu?". Ela me pede uma nota para o atendimento...Bem, o atendimento merece nota zero, porque não fui atendido. Estou sem o modem, impedido de trabalhar. Parece uma engrenagem sem controle, ineficiente; lembra um carro desgovernado, sob o comando de um motorista que acabou de ter um enfarte fulminante. À noite, durante o jantar, fico ruminando, como é complicado para o cidadão comum ser refém desse tipo de gente.    Na segunda-feira cedo, ligo para um amigo e ele me traz um modem reserva, instala o equipamento e faz a configuração. A internet passa a funcionar normalmente.E a Vivo? Quando menos se espera, na quarta-feira, aparece o técnico bonachão e instala o modem. Com a Eletropaulo foi pior. Em 2018, caiu um galho sobre a fiação e a energia enviada para dentro de casa era de 220 volts. Você acendia a lâmpada e ela ficava mais clara que o sol até explodir. Uma correria para desligar tudo que podia estar na tomada. A espera pela equipe de reparação levou 28 horas. Quando a energia foi restabelecida, descobri que o computador estava queimado. Entrei com pedido de indenização. A Eletropaulo negou-se a pagar. O caso foi parar no tribunal de pequenas causas. Dia 13 de fevereiro próximo, temos audiência. Um ano e lá vai pedra depois do ocorrido.A Sabesp...Essa Sabesp...Acordei cedo. Entrei no banheiro. Abri a torneira para lavar o rosto e...Nada! Torneira seca. Fiquei que nem um zumbi, imaginando que seria algum problema com a boia ou teria esquecido de pagar a conta e a Sabesp cortara o fornecimento? Ligo para a Sabesp. A atendente diz que o problema é localizado. Apenas na minha casa e que ela irá enviar uma equipe para verificar a origem do problema. Inconformado, pego o carro e vou até o Poupatempo, onde a Sabesp tem uma representação. Lá, me dizem que o problema talvez seja "em todo o bairro". Falo com uma pessoa que mora em São Paulo, ao lado de uma agência grande da Sabesp. Ela vai até lá e vem com uma terceira informação: a Sabesp está realizando uma grande obra na região e vários bairros estavam sem água, há vários dias. A previsão é que o serviço seria normalizado no início da noite. Foi o que de fato ocorreu. Conclui-se que, a exemplo da Vivo, a Sabesp também parece um carro desgovernado. Em nenhum momento, a Sabesp me avisou que iria cortar o fornecimento. Simplesmente, esgotei as reservas das duas caixas d'água até ficar sem uma gota em casa. Um pesadelo! E a Sky...Como se esquecer da Sky...Fiz uma recarga do serviço pré-pago, em uma lotérica, e a Sky entendeu que se tratava de uma assinatura anual. Sem os canais que tinha pago, sem entender o que estava acontecendo, liguei para a Sky e a atendente disse que eu havia comprado uma assinatura anual e que apenas no próximo ano poderia fazer algo a respeito. Com tanta tecnologia, com tanta facilidade, com tudo sendo resolvido em meia dúzia de toques no celular, a Sky nada poderia fazer. "O senhor espera até o ano que vem e depois vem falar com a gente". O comerciante que me vendeu o equipamento pré-pago disse que isso ocorria quase sempre. "Em geral,  a pessoa compra outro aparelho e joga fora o que está comprometido", ele sugeriu.  Reclamei para tudo quanto foi órgão de atendimento ao consumidor. Procurei até a Anatel. Depois de engolir vários sapos, finalmente, a Sky colocou as coisas no eixo. O fato é que essas empresas de atendimento de massa estão completamente perdidas. O consumidor é mal atendido. Os problemas ficam pendentes, como roupas em uma varal abandonado. O cliente paga caro e, quando o serviço é interrompido, não recebe o desconto devido. Se a estatização que havia no passado era um pesadelo, naquela época em que um telefone de linha custava, às vezes, mais caro que um carro seminovo; hoje, com a privatização dos serviços essenciais, fomos mergulhados em uma lixeira profunda. Nos casos mais graves, somos até submersos pelo lamaçal dos desmandos, da imprevidência e do pouco caso dessas empresas bilionárias que, em busca do lucro extorsivo, estão pouco se lixando para os direitos elementares dos consumidores.      
   
 




terça-feira, 22 de maio de 2018

Depender da Eletropaulo é um choque de realidade



Sábado de manhã. O dia amanhece calmo. Sol fraco, pássaros cantam, cachorros se coçam. A gente toma café, faz planos para o dia, com aquela suposta tranquilidade de quem se acha piloto do futuro. 

Só que, como afirmava o mergulhador Mike Nelson, "o inevitável aconteceu". Do nada, veio um minitufão, um vento fortíssimo que arreganhou janelas, fez voar telhas e derrubou um fio elétrico que liga o poste da Eletropaulo ao poste de casa. 

Começou a chover. As lâmpadas adquiram um brilho solar. Era você acender uma lâmpada e ela explodia. Corremos para tirar tudo o que era possível das tomadas. Chamamos o eletricista que veio pouco depois e constatou o problema: o vento tinha derrubado o fio neutro. Nossa casa inteirinha estava entregue aos 220 volts. "Não acenda lâmpada que ela vai queimar. É preciso chamar a Eletropaulo", avisou o prestador de serviço da Porto Seguro, por sinal, seguradora sempre impecável. 

Ligamos em seguida para a Eletropaulo. A atendente disse que a situação era de emergência e que, por favor, não tocássemos no fio que havia escapado do poste. Eram umas 9h30 do sábado. Pouco antes do almoço, ligamos novamente para a Eletropaulo. Outra atendente e uma nova solicitação da prestadora: "Dá para alcançar o fio solto com a mão?". Não dava, mas se ela quisesse, eu subiria em uma escada dos bombeiros e pegaria o fio à unha porque devo ser um dos muitos idiotas do mundo que, quando veem um fio solto, saem correndo para levar choque. De qualquer forma, ela prevê que o serviço será feito "até as 15h" 

Chega a tarde e nada da Eletropaulo. Ficamos de plantão em casa. Aguardando a chegada da equipe de manutenção. Isso é o bom do capitalismo brasileiro: os serviços públicos foram privatizados, os escolhidos encheram o saco de dinheiro e a população fica assim, com o bico aberto, piando sem parar, que nem filhote de passarinho que a mãe foi morta pelo moleque de estilingue.

Cerca de 17h, liga uma atendente da Eletropaulo. Quer saber se o fio está ao alcance da minha mão. Infelizmente, não, eu digo, bem que eu gostaria de levar um choque de uns 1.200 volts e encerrar essa espera angustiosa. Ela me dá uma má notícia: "O sr. sabe aquela previsão que uma equipe iria até sua casa até as 15h. Pois é, agora, nós não temos mais previsão".

Pouco depois, uma nova ligação. Haveria uma equipe da Eletropaulo por perto, porém, eles não conseguiam achar meu endereço. Deixe de pagar a conta da Eletropaulo e veja se eles não acham direitinho seu endereço para cortar o fornecimento.

Chega a noite. Jantamos melancolicamente à luz de velas. Não há romantismo em saber que sua comida está apodrecendo na geladeira. Não há romantismo em saber que você vai tomar um banho gelado antes de dormir. 

Oito horas da noite, desisto do mundo e vou dormir. Apago imediatamente. Às 23h45, sou sacudido pelo som contínuo e ininterrupto do telefone. Espero um pouco para ver se o desgraçado desiste, mas ele não para. Toca, toca e toca sem parar. Trôpego, com os olhos se recusando a abrir, atendo o telefone. É um rapaz da Eletropaulo. Muito solícito, ele pergunta se a equipe de manutenção veio fazer o serviço. Não, não veio. "Tudo bem, o sr. aguarde que eles vão chegar o mais breve possível". 

Cristo Rei! Esses incompetentes não têm controle? A Central não se comunica com as equipes de campo? E que maldito sem coração liga para a gente às 23h45 para perguntar algo que ele deveria saber? 

Amanhece o dia. Às 6h, ligo novamente para a Eletropaulo. A atendente diz que não vai dizer que o serviço será feito até uma determinada hora, porque isso seria mentir pra mim. "Não temos qualquer previsão", ela afirma categórica, com aquela maldade característica de alguém que madrugou no trampo. 

Minha mulher sonha que estou vendo futebol na TV, enquanto passo roupa. Ela sai cambaleando da cama e leva um choque de realidade: nada de luz, nada de equipe de manutenção. 

É só um maledeto de um fio solto! Um fiozinho só! Imagine o dia que eles precisarem trocar os postes e a fiação da rua?  

Tomamos café. O relógio marca 9h. Estamos há 24h sem luz. Deve ser algum recorde. 

Então, às 10h do domingo acontece o milagre. Chega o caminhão da Eletropaulo, com a equipe que vai nos resgatar do breu, das sombras e das trevas. Pulamos, cantamos de alegria. Festejamos! 

Só que o caminhão passa direto. Não viu a nossa casa. Foi em frente, foi embora...

Saio correndo pela rua...Como o louco Rubião, herdeiro do filósofo Quincas Borba. 

Caríssimo, naquele momento, eu bateria fácil, fácil, o recorde de 100 metros. Pobre Usain Bolt...Fiz aqueles 300 metros que me separavam do caminhão em menos de 8 segundos. Agarrei o bruto. Firmei os calcanhares no chão. E o trouxe arrastado até em casa. 

O fio solto finalmente iria ser reconectado ao poste. Demorou só 26 horas para fazer o serviço. 





A primeira travesti do Bois de Boulogne

  Livro conta a história de Paul/Suzanne O escritor Marc Lefrançois ( marc.lef01 ) , autor de "Les grandes criminelles de l'Histoir...