domingo, 22 de março de 2026

Erika Hilton veio pra bagunçar o coreto

 

A deputada Erika Hilton foi eleita presidente da Comissão de Mulheres


A deputada Erika Hilton (Psol-SP) já conseguiu uma vitória retumbante ao ser eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, na Câmara dos Deputados: o Brasil descobriu que existia uma Comissão de Mulheres. 

Em artigo publicado neste domingo pelo Uol, o articulista Alexandre Borges (ex-Jovem Pan, ex-Antagonista) chama a deputada de "homem biológico transgênero", alinhando seu posicionamento ao de políticos direitistas, como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Nikolas ganhou as manchetes em 2023 ao usar uma peruca loira e discursar no Dia da Mulher, atacando as mulheres trans.

Em seu artigo, intitulado "Primeiro mundo abandona agenda woke, enquanto Brasil dobra aposta", Borges cita dois discursos de atores, que ganharam prêmios, para afirmar, categoricamente, que o Primeiro Mundo abandonou a agenda woke. 

(Quem não souber o que significa o termo "woke" e tiver interesse pode ler um texto neste mesmo blog sobre o tema: 

https://www.blogger.com/blog/post/edit/8599959271025068269/168513383584403002)

Os atores em questão disseram, nos discursos de agradecimento, que gostavam de seus cônjuges e que desejavam ter mais filhos com eles. São casais heterossexuais. Felizes e satisfeitos, querendo aumentar a prole. Algo que não é novidade e acho que acontece desde o início do mundo.

Borges comenta que o Brasil não aceitou a presença de uma mulher trans na Comissão de Mulheres e cita uma pesquisa do instituto Real Time Big Data, na qual 84% dos brasileiros eram contra a eleição de Hilton. 

Perguntei para a Inteligência Artificial quem era esse instituto, com nome em inglês, Real Time Big Data ("Grandes Dados em Tempo Real", em português o nome perde o charme, não sei por quê). A IA me respondeu o seguinte:

"O instituto de pesquisa Real Time Big Data tem sido associado a cenários favoráveis a candidatos de direita, como Flávio Bolsonaro, em levantamentos recentes de 2026, com liderança ou empate técnico em estados como São Paulo, Rio Grande do Sul e Goiás. A empresa é frequentemente citada por meios de comunicação com essa linha editorial".

A eleição da deputada Erika Hilton não foi apertada. Onze deputados votaram a favor e outros dez, imagino, não sabiam o que fazer e entregaram o voto em branco. O dia seguinte é que foi complicado. O País descobriu que existia uma Comissão de Mulheres e que uma mulher trans havia "se apossado dela". 

Começou com o apresentador Ratinho, declaradamente de direita e dono de uma fortuna de 1 bilhão de reais, dizer que não concordava com a posse da deputada trans. Para o apresentador, mulher tem de ter útero e menstruar, "ficar chata por três, quatro dias" (a mulher que foi submetida a uma histerectomia não seria mais mais mulher?). Erika Hilton não gostou. Chamou Ratinho de "transfóbico" e moveu-lhe um processo de 10 milhões de reais. Cerca de 1% da fortuna do apresentador do SBT. Se a fortuna de Ratinho fosse uma laranja bahia, esses 10 milhões representariam uma lasquinha, bem pequenininha da casca grossa.

A deputada Fabiana Bolsonaro (PL-SP), que não tem parentesco com a família Bolsonaro, tendo adotado o nome apenas para mostrar filiação ideológica, subiu na tribuna, pintou o rosto de preto (black face) e ganhou todos os holofotes. 

"Virei negra", ela pontificou, depois de pintar o rosto de preto. Aliás, Fabiana tem mudado mesmo de pele. Antes, era branca; depois, em 2022 se declarou "parda" e levou 1.593.33 reais em recursos públicos para "candidatos negros", conforme reportagem publicada pelo G1, em 19 de março último.

Nas redes sociais, Erika Hilton se posicionou diante dos ataques e disse que a opinião de "transfóbicos" e "ImbeCis" seria a última coisa que lhe importava. O termo "imbeCIS", cunhado pela deputada, remete aos "cisgêneros" - aqueles que estão de bem com o próprio gênero e o sexo, atribuído no nascimento. Mulheres "cis" reclamaram, porque entenderam que a deputada havia lhes ofendido. Não sou advogado da deputada, mas - olhando assim, rapidamente - entendi que ela chamou alguns cisgêneros, que a atacaram e até a ameaçaram de morte, de imbecis. Apenas estes e não todos os "cis" do planeta Terra.    

Nessa confusão toda, cabe seguir outro caminho, com menos holofotes e gente sem empatia. O Brasil lidera o ranking de assassinato de travestis há 18 anos consecutivos. Neste mesmo País, em 2025, 1.568 mulheres foram mortas pelos companheiros ou ex-maridos, namorados... É um número sombrio: a cada 24 horas, morrem quatro mulheres vítimas de feminicídio. 

Para mim não interessa que Erika Hilton seja, segundo Alexandre Borges "homem biológico transgênero". Eu vejo uma parlamentar atuante, com proposições voltadas para a melhoria de vida de mulheres, pessoas trans e pessoas em situação de rua. Vejo também uma mulher negra, trans, enfrentando ódio exacerbado, machismo explícito e discriminação violenta. 

Sinceramente, não sei o que a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher fez em anos anteriores. Não deve ter feito muita diferença, porque até agora o Brasil tem números assustadores de assassinatos de mulheres e trans. Se esse "homem biológico transgênero" conseguir mudar esse quadro de horrores, sua missão à frente da Comissão de Mulheres terá sido bem-sucedida. Vou torcer por ela.      

 

  

      


quinta-feira, 12 de março de 2026

Ainda estou aqui é muito superior ao Agente secreto

 

"Ainda estou aqui" ganhou o Oscar de melhor filme internacional

A diferença entre os filmes "Ainda estou aqui" e "O agente secreto" é abissal. Enquanto o filme de Kléber Mendonça Filho sugere que a violência da Ditadura Militar era encabeçada por meia dúzia de policiais corruptos e ex-integrantes do Exército; "Ainda estou aqui", dirigido por Walter Salles, não tem receio de colocar o dedo na ferida e vai fundo na exorcização de nossos demônios, mostrando a responsabilidade das Forças Armadas brasileiras na repressão criminosa, entre 1964 e 1985, os 21 anos de duração da Ditadura Militar.

Não eram meia dúzia de paus mandados, de tiras criminosos, os responsáveis pela tortura e desaparecimento de presos políticos, como propõe "O agente secreto". Eram os homens fardados, do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, com o apoio de policiais, como o torturador e delegado Sérgio Paranhos Fleury, os protagonistas do terror.

Legítimo vencedor do Oscar 2025 de melhor filme internacional, "Ainda estou aqui" é uma produção inteligente, emocionante, épica, profundamente amorosa em retratar uma família devastada por uma ação terrorista do Estado. A atuação de Fernanda Torres, como Eunice, a mulher do deputado Rubens Paiva, atinge um primor, uma perfeição que vai ser muito difícil de ser superada. Infelizmente, a Academia de Hollywood não a premiou com o Oscar. Preferiu dar o prêmio para a jovem atriz Mikey Madison, do filme "Anora". Uma pena e uma injustiça. Felizmente, Fernanda Torres levou para casa o Globo de melhor atriz.

"Ainda estou aqui" deixou momentos de beleza poética que a gente, passado um ano ou mais desde a sua exibição, guarda com muita emoção. Não se consegue segurar as lágrimas, quando a casa, onde viviam Rubens Paiva e a família no Rio de Janeiro, é esvaziada. Uma das filhas do deputado pega a filmadora e registra o momento da partida da família, que deixa o Rio e segue para São Paulo, para uma nova vida, sem a presença do pai.

Em outro momento inesquecível, Eunice recebe a notícia de que o governo brasileiro, em 1996, finalmente, havia reconhecido que Rubens Paiva havia sido morto pelas forças repressivas. A expressão de Fernanda Torres, vivendo a agora oficialmente viúva, é de uma qualidade interpretativa assombrosa.

"Ainda estou aqui" tem momentos de claridade e felicidade ofuscantes, enquanto a família reúne-se com amigos, com tios e primas, para almoços, onde Eunice serve um suflé que todos adoram.

Enquanto isso, "O agente secreto" vai no seu ritmo modorrento, meio passivo-agressivo, contar a história de um pesquisador que está sendo perseguido por "matadores de aluguel". A relação do pesquisador com o filho é distante (a mãe do menino e companheira do pesquisador foi morta em circunstâncias não muito claras). Aparecem policiais que fariam parte de um suposto esquadrão da morte. Só que a narrativa não deixa nada muito claro. A gente só sabe o que aconteceu com o pesquisador, em uma breve imagem de um retrato de jornal. Há cortes de cena abruptos que mostram um celular, indicando uma ação que se passa no futuro. Vi gente reclamando com o diretor, dizendo que celular não existia em 1977, quando se passa a história de "O agente secreto". Tem gente que deve assistir filme com um olho na tela grande e o outro no próprio celular, escorregando o dedo na telinha da rede social. Enquanto Walter Salles deixa clara a mudança temporal, jogando na tela a informação "25 anos depois"; Kléber Mendonça prefere focalizar o celular, para sugerir que o tempo passou. Estratégia que o público de rede social dificilmente vai conseguir captar.

E enquanto "Ainda estou aqui" é um filme aberto, inclusivo, regado a whisky de qualidade, viagens à Europa, descendentes de múltiplas nacionalidades, que fazem o Brasil ser aquele que acolhe todos; "O agente secreto" destaca como vilão um protagonista, vindo do sudeste, com uma única proposta: prejudicar os nordestinos. O foco de "O agente secreto" parece ser muito mais voltado para o rancor de Kléber Mendonça, em relação aos paulistas, do que à Ditadura Militar.

Vontade de rever "Ainda estou aqui". E nenhum desejo de assistir novamente "O agente secreto".   

   

domingo, 8 de março de 2026

O agente secreto não merece o Oscar

 

O filme foi premiador em Cannes

A cerimônia de entrega do Oscar acontece no domingo, 15 de março próximo. Espero que o filme “O agente secreto”, dirigido e escrito por Kleber Mendonça Filho, estrelado e coproduzido por Wagner Moura, não ganhe a estatueta.

O filme tem um ritmo lento, arrastado. Em vários momentos, dá vontade de parar a exibição para voltar a vê-lo outra hora, quando a gente não tiver nada de bom para fazer.

“O agente secreto” ganhou o prêmio de melhor diretor e melhor ator no Festival de Cannes. O que revela que a safra 2025 não é das melhores.

O maior problema do filme é a falta de coragem. Em 1977, ano em que se passa o filme, o Brasil ainda vivia sob a Ditadura Militar. O presidente Ernesto Geisel tinha fechado o Congresso, depois de o partido do governo (Arena) ser derrotado nas eleições pelo MDB. Para não correr mais o risco de perder, Geisel criou um certo “colégio eleitoral”, com políticos simpatizantes da ditadura, que davam maioria para o governo no Congresso, quando este fosse reaberto. Também em 1977, o então secretário de Segurança de São Paulo, o coronel Erasmo Dias, invadiu a PUC (Pontifícia Universidade de São Paulo), espancou milhares de estudantes e prendeu 900. Na época, eu trabalhava em uma publicação na rua Monte Alegre e testemunhei a pancadaria.  

Quando se fala em Ditadura Militar, significa que as três armas – Exército, Aeronáutica e Marinha – atuavam de maneira ostensiva, para controlar os opositores. No filme de Kléber Mendonça Filho, não se vê os militares torturando e matando opositores. Não aparece um integrante do Exército, um oficial graduado da Marinha e da Aeronáutica usando a violência para calar aqueles que resistiam ao regime.

Só para citar um exemplo simbólico, o coronel do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, o “dr. Tibiriçá”, foi condenado pela Justiça, em 2008, como torturador. Era Brilhante Ustra quem comandava o Doi-Codi (Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna), em São Paulo, onde 500 pessoas foram torturadas e o jornalista da TV Cultura Vladimir Herzog foi assassinado, durante uma sessão de espancamento.

Em “O agente secreto”, não se vê um jipe do Exército ou de outras forças capturando pessoas. Quem faz a violência no filme são policiais corruptos e ex-integrantes das forças armadas. Um deles teria sido expulso do Exército. Ou seja, de certa forma, o filme “pega leve” com os “milicos”. Onde estavam Brilhante Ustra e outros militares torturadores?

Parece que a violência no filme é extemporânea, no sentido de vir de alguns criminosos inoportunos, quando, na realidade, a repressão contra a oposição, durante a Ditadura Militar, era exercida pelo Exército, Marinha e Aeronáutica.

Assim como fez em “Bacurau”, Kléber Mendonça destaca um personagem do Sudeste, para ser o grande vilão. Esse personagem corrupto, instalado na Eletrobrás, destrói pesquisas importantes, que eram feitas no Nordeste (Universidade Federal de Pernambuco), para buscar benefícios próprios. O personagem é racista, misógino e extremamente violento, “descendente de italianos de Gênova”.

Mais uma vez, fica sugerido que o diretor Kléber Mendonça tem uma espécie de aversão aos descendentes de italianos, que vivem no Sudeste (São Paulo, principalmente), reputando-lhes os principais flagelos, ocorridos no Brasil.

“O Agente secreto” - bem parecido com filmes anteriores do mesmo cineasta “O som ao redor” e “Aquarius” – tem um andamento quase preguiçoso, devagar, que é sempre interrompido por um êxtase de violência extrema. Os diálogos parecem cordiais, mas escondem sempre uma perspectiva de morte e agressão.

Se dependesse do meu voto, “O agente secreto” não levaria a estatueta careca para casa.

    


quarta-feira, 4 de março de 2026

Vereadora lésbica soma votos em campanha contra LGBTs

 

Vereadora Jessica Ramos Moreno, a Jéssicão

Ela se chama Jessica Ramos Moreno. Gosta de ser chamada de “Jéssicão, a opressora” e também de “sapatão raiz”. Casada com uma mulher, teve gêmeos recentemente. Filiada ao Partido Progressistas, foi eleita vereadora de Londrina (PR), com 15 mil e 57 votos, cidade onde nasceu em 3 de fevereiro de 1993.

 Aos 33 anos, “idade de Cristo”, como se dizia, chamou a atenção da mídia nacional ao aprovar uma lei que proíbe a participação de atletas trans em sua cidade.

Ocorre que Londrina sediou a final de uma competição de vôlei, envolvendo as equipes de Osasco e Minas. E a equipe de Osasco tem uma atleta trans em seu plantel: Tiffany.

De acordo com a lei número 13.770, de autoria da vereadora Jéssicão, aprovada pela Câmara de Londrina, em 26 de abril de 2024, “fica expressamente proibida a participação de atleta cujo gênero seja identificado em contrariedade ao sexo biológico de seu nascimento”. Do ponto de vista legal, Londrina proibia a participação de Tiffany na final.

Acontece que a lei foi além e proibiu todas as pessoas de praticar esportes. Veja o que diz o texto: “Para efeito de aplicação desta Lei define-se como sexo biológico de seu nascimento ‘feminino’ ou ‘masculino’, prevalecendo assim a proibição da participação de atleta cujo gênero seja identificado em contrariedade ao sexo biológico de seu nascimento: gay, lésbica, bissexual, pansexual, intersexual, assexual, transexual, agênero, não binário de gênero, cisgênero, transgênero, travesti, entre outros”.

Na ânsia de arrebanhar eleitores, a vereadora conservadora de direita incluiu o termo “cisgênero” na lei restritiva. São pessoas cisgênero aquelas cuja identidade de gênero corresponde ao sexo biológico atribuído no nascimento. Por exemplo: alguém nascido com características femininas que se identifica como mulher; ou com características masculinas que se identifica como homem.

Provavelmente, sem recorrer à pesquisa, sem buscar informação, a vereadora Jéssicão proibiu a prática do esporte para todos os seres humanos do planeta. Manchete do jornal “Plural”:

“Londrina proíbe todo mundo de competir em esportes”.

 Para justificar seu posicionamento contrário às pautas LGBTs, Jéssicão disse que Londrina é uma cidade conservadora e que ela não moveria uma palha sequer pelos LGBTs.

Em sua campanha incansável contra os LGBTs, Jéssicão defendeu o atleta de vôlei Maurício Souza, campeão olímpico, que atacou o novo Super-Homem que seria bissexual. “Aonde vamos parar?”, questionou o atleta, demitido depois pelo seu time. Jessicão postou nas redes sociais apoio incondicional a Maurício Souza.

A vereadora, que tem um boneco de Jair Bolsonaro, de terno e com a faixa de presidente na sua mesa de trabalho, teve outro projeto polêmico também aprovado pela Câmara de Londrina. O projeto proíbe a presença de pessoas sem-teto na cidade. A vereadora do Partido Progressistas não estava preocupada em acabar com a miséria, nem com a situação vulnerável dos sem-teto. Ela só não queria vê-los por perto. Segundo Jéssicão, os sem-teto “cerceiam a liberdade de ir e vir e integralidade moral das pessoas”.

Em outro episódio polêmico, Jéssicão anunciou nas redes sociais que havia encontrado um livro erótico em uma creche. O título do livro: “A mamãe vai ter um bebê”. Teria sido escrito por Henry Miller?

Gabriel Darcin, doutorando em filosofia pela Universidade Estadual de Londrina e André Justus, doutorando em comunicação pela Universidade Federal do Paraná, escreveram um artigo para a revista “Cor LGBTQIA+”, intitulado “Jéssicão a opressora – desafio às políticas trans e LGBTQIA+ em Londrina”, onde mencionam o impacto dessa política sobre a população LGBT. Eles escrevem:

“A vereadora Jéssica Ramos Moreno, mais conhecida como ‘Jessicão, a opressora’, tem proposto diversos projetos de lei para conter uma suposta ‘ideologia de gênero’ na cidade de Londrina. Essas iniciativas têm impactado diretamente os direitos da população LGBTI+, em especial de pessoas transexuais e não binárias, que são as mais afetadas pelas mudanças na legislação municipal”.

Eles prosseguem:

“Evidencia-se, assim, como a democracia deliberativa tem sido corroída pela ausência de debate racional em torno das propostas e pela exclusão sistemática de vozes opositoras, configurando um desafio à construção de políticas públicas inclusivas. Destaca-se, ainda, que pessoas transexuais e não binárias têm sido as mais atacadas por Jessicão, em uma estratégia para manter e ampliar seu eleitorado conservador”.

Por ser lésbica, “sapatão raiz”, o observador comum poderia imaginar que a vereadora pudesse, pelo menos, acolher com boa vontade as pautas LGBTs. Mas não. Ela faz questão de se opor e, se pudesse, certamente tiraria o L do acrônimo LGBT. Além da mera estratégia política para arrebanhar eleitores conservadores, parece que a vereadora tem algum ressentimento, algum rancor contra a população LGBT. E sua atuação legislativa seria um “acerto de contas”.

Se Freud fosse ouvido, diria que a vereadora nutre uma ambivalência afetiva em relação aos LGBTs, de maneira que o amor e o ódio não estariam em polos opostos, mas ocupando sua libido. É como a criança que ama e odeia os pais. Ama, quando os pais a satisfazem e odeia, quando se sente frustrada por uma interdição.

Para não dizer que não falei das flores, Tiffany – a atleta trans – pôde jogar em Londrina, graças a uma liminar, concedida pela ministra Carmen Lúcia, do STF (Supremo Tribunal Federal), que acatou pedido da Confederação Brasileira de Vôlei. Tiffany brilhou na final, foi eleita a melhor da partida e Osasco sagrou-se campeã da Copa do Brasil contra Minas.


Erika Hilton veio pra bagunçar o coreto

  A deputada Erika Hilton foi eleita presidente da Comissão de Mulheres A deputada Erika Hilton (Psol-SP) já conseguiu uma vitória retumbant...