| Imagem copiada do Instituto Itard |
A ideia da inclusão é louvável: não é o aluno que tem de se adaptar à escola, mas a escola é quem deve adaptar-se ao aluno. O aluno com necessidades especiais - tdah (transtorno de déficit de atenção com hiperatividade), autismo, dislexia, baixa alfabetização, entre outros - está na sala de aula e necessita de apoio incondicional do professor. Esse apoio vem na forma de material pedagógico desenvolvido especialmente para esse aluno e acompanhamento incansável e irrestrito do docente.
Na vida real, não é isso que acontece. Em muitas escolas, o que se vê é o aluno com necessidade especial abandonado num canto da sala de aula. Às vezes, ele está acompanhado por um profissional de apoio escolar ou cuidador escolar que fica à mercê do material pedagógico que o professor irá passar.
Qual é esse material? Quem fornece? Dependendo da escola, vai caber ao professor correr atrás do lucro, porque no prejuízo ele já está. O docente entra na internet e vai buscando aquilo que ele acha mais adequado para seus discentes especiais. Mas é uma busca meio "no olho", sem fundamento científico. Na base do: "talvez isso dê certo", "quem sabe Fulano vai conseguir fazer esse exercício".
No dia seguinte, ele vai passar o exercício e o aluno, por exemplo com autismo, vai dizer: "Ah, professor, não gosto de pintar". Ou: "estou enjoado de pintar". Então, o docente vai em busca de novos materiais, nem sempre obtendo sucesso.
Isolado no fundo da sala de aula, o aluno com necessidade especial, às vezes, começa a gritar. O professor procura saber o que está acontecendo e descobre que a profissional de apoio escolar saiu mais cedo, foi embora e que esse aluno está incontrolável: "Eu sou autista. Ninguém manda em mim aqui dentro", ele grita. A classe se diverte.
Sem condições de acompanhar as aulas, como os demais alunos, o aluno com necessidade especial não passa por avaliação. A prova, que é fornecida à classe, não pode ser a mesma que seria dada a ele. É uma outra avaliação. Mas como avaliá-lo? Ele fez os desenhos, ele montou um quebra-cabeça... Qual é a nota que deve ser dada?
Na próxima reunião do Conselho de Classe, a nota do aluno especial já está dada. Em geral, é 5; às vezes, 7. Os pais, provavelmente, vão se encantar. "Nossa, meu filho está indo bem na escola. Tirou 7." Na vida real, essa nota não existe. É um engodo. A escola engana-se e os pais se submetem ao engodo.
Em classes turbulentas, caóticas, com 30, 40 alunos no recinto, os alunos com necessidades especiais ficam territorialmente perdidos. O professor tem dificuldade para manter o nível de concentração dos discentes. Precisa escrever na lousa, falar o tempo todo, para que a classe mantenha um mínimo de atenção. Nessa condição, o aluno especial está isolado, não acompanha a aula e aguarda a visita do professor que irá lhe passar alguma atividade. Ocorre que, nesses dois ou três minutos que o professor fala com o aluno especial, a classe entrou em erupção.
Outra realidade são os alunos de sexto, sétimo e até oitavo ano que ainda não sabem escrever e nem ler com naturalidade. Alguns escrevem em letra cursiva e depois não conseguem entender o que escreveram, por se tratar de letra cursiva. Todo o trabalho do professor em escrever na lousa, o aluno copiar, vai para o ralo, porque, em casa, o aluno não conseguirá estudar, porque não lê a própria letra.
O que aconteceu de errado no sistema escolar brasileiro que permite que alunos do sexto, sétimo e oitavo ano do ensino fundamental ainda estejam na pré-história do aprendizado? Alguma coisa deu muito errado nesse caminho. Só que ninguém ainda parou para pensar e dizer o óbvio: "Erramos e precisamos corrigir nosso erro. Vamos mudar a partir de hoje".
Além de todos esses problemas, tem um muito grave que é o aluno em estado terminal pedagógico. É o aluno que não reage mais a estímulos. Não faz o exercício solicitado, não lê, não busca mais o conhecimento. Está em estado letárgico. Sem reação. Esse aluno não tem nenhum dos distúrbios famosos conhecidos. É alguém que desistiu. Não pertence nem à categoria dos músicos do Titanic, porque nem a caneta ele segura e muito menos pensa em abrir o livro.
Do outro lado da mesa, está o professor brasileiro. Esse personagem talvez, próximo da extinção. Em cinco anos (2020 a 2025), 10 mil docentes puxaram literalmente o carro. Foram trabalhar de mecânicos, cozinheiros, frentistas, motoristas de aplicativo...
É nessa hora que a gente para pra pensar e até concorda com o maluquete que segura a placa na praça: "O fim está próximo".
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