domingo, 28 de dezembro de 2025

Alexandre de Moraes, Banco Master, Sergio Moro e 2025 que não acaba

 

O então juiz Sergio Moro à frente de jornalistas. A seta aponta para a jornalista Malu Gaspar, de "O Globo"

 A manchete do jornal “O Globo” de 22 de dezembro jogou uma nuvem de pólvora sobre o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. O título gritava com toda força: “Alexandre de Moraes procurou Galipolo para pedir pelo Master junto ao Banco Central”.

Quem é Galipolo? Ele é o presidente do Banco Central. Seria ele quem teria condições de “salvar” o Banco Master da liquidação. Mas não foi isso que aconteceu. O Banco Central liquidou o Banco Master e Daniel Vorcaro, que era presidente da instituição na ocasião, foi preso pela PF (Polícia Federal), em novembro.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) fez lobby para salvar o Banco Master, como afirma o jornal “O Globo”? O ministro garante que não.

No dia seguinte da publicação de “O Globo”, Moraes emitiu nota dizendo que não telefonou para Galípolo, para tratar do Banco Master.

Veja a nota do ministro:

"O Ministro Alexandre de Moraes esclarece que realizou, em seu

 gabinete, duas reuniões com o Presidente do Banco Central para

 tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnistiky. A primeira no dia

 14/08, após a primeira aplicação da lei, em 30/08; e a segunda no dia

 30/09, após a referida lei ter sido aplicada em sua esposa, no dia

 22/09. Em nenhuma das reuniões foi tratado qualquer assunto ou

 realizada qualquer pressão referente a aquisição do BRB (Banco de

 Brasília) pelo Banco Master.

“Esclarece, ainda, que jamais esteve no Banco Central e que inexistiu qualquer ligação telefônica entre ambos, para esse ou qualquer outro assunto. Por fim, esclarece que o escritório de advocacia de sua esposa jamais atuou na operação de aquisição BRB-Master perante o Banco Central",

As mesmas fontes, que teriam tido conhecimento do suposto lobby de

 Moraes sobre o Banco Central, disseram que o ministro do STF foi

 além e pressionou também a PF.

A articulista da “Folha”, Monica Bergamo, questionou o diretor geral

 da PF, Andrei Rodrigues, sobre o suposto encontro de Moraes com

 ele. Rodrigues disse que isso não aconteceu e que tinha ouvido esses

 boatos.

O caso continuou repercutindo. Em 27 de dezembro, o colunista da “Folha” Demétrio Magnoli escreveu um texto, desafiando o ministro Alexandre de Moraes a provar que não tinha feito lobby sobre o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

As redes antissociais foram à loucura, porque a afirmação de Magnoli era realmente um disparate. A pessoa acusada é quem deveria provar que não tem culpa; e não o acusador mostrar as suas provas. Na Justiça, normalmente, ao acusador cabe o ônus da prova, a gente aprendia no primário.

O ministro Alexandre de Moraes notabilizou-se pela salvaguarda da democracia brasileira. As suas atitudes, a sua firmeza, a sua coragem foram determinantes para expor, julgar e condenar os golpistas, que tentaram demolir a nossa ainda frágil democracia. O Brasil tem uma dívida histórica para com o ministro Alexandre de Moraes.

Ocorre, no meio desse caminho, um problema de ordem ética. O ministro é casado com a advogada Viviane Barci de Moraes. O escritório de advocacia dela tinha fechado um contrato de 129 milhões de reais com o Banco Master (remuneração mensal de 3 milhões e 600 mil por três anos, de acordo com o Uol).

Segundo o “Estadão”, Viviane Barci tinha 27 casos a serem julgados no STF, antes da posse de seu marido no Supremo. Após a posse dele, o total de casos subiu para 152. Não é ilegal a esposa de Moraes ter 152 processos em julgamento no STF.

Em 2023, o STF julgou que a regra que impedia juízes de julgar casos, em que clientes de escritórios de seus parentes (até terceiro grau) atuavam, era inconstitucional, pois era impossível o juiz saber de todos os clientes de todos os escritórios de seus familiares.

Não é ilegal para a esposa do ministro ter 152 processos em julgamento no STF, é fato, no entanto, não pega bem para a imagem do ministro. Dá impressão de favorecimento, de uma espécie de nepotismo enviesado. Entendo que a esposa do ministro tem direito de exercer sua profissão e que seria inconstitucional impedi-la de advogar para seus clientes no STF. Mas, se eu fosse o ministro, pediria para ela passar para outro escritório, de algum advogado parceiro, esses casos que dependem de julgamento no Supremo. O escritório de advocacia dela vai perder dinheiro? Sim, vai perder, mas a imagem do ministro não pode ser prejudicada. A democracia brasileira é devedora de Moraes. Por isso, tudo que possa macular sua imagem precisa ser retirado do quadro.

Em relação à articulista de “O Globo” Malu Gaspar, ela tem sido “metralhada” nas redes antissociais. Dizem que ao contrário do ex-juiz da Lava-Jato Sergio Moro que lhe passava “quentinhas exclusivas” (notícias que ninguém tinha, só ela), Moraes nunca lhe passou qualquer furo jornalístico. Por isso, ela teria uma dívida de “ingratidão”, em relação ao ministro do Supremo. As postagens no Instagram (etc.) cobram de Malu Gaspar “as provas” de que Moraes teria feito mesmo lobby a favor do Banco Master. E a maioria diz que ela é “amiguinha” de Moro. Tem até uma foto de Malu ao lado de Moro, sentado como se fosse um rei, cercado por uma corte de "admiradores" (na realidade, jornalistas). A foto refere-se, na realidade, a uma entrevista de Moro concedida ao programa "Roda Viva", em 20 de janeiro de 2020.

A informação da articulista de “O Globo”, colocando Moraes na linha de fogo como lobista, veio quando mais se falava do senador Sergio Moro pelo partido União Brasil.

Acontece que a Polícia Federal fez uma busca e apreensão na 13ª Vara Federal de Curitiba, em 3 de dezembro último, descobrindo que o ex-juiz Sergio Moro grampeava autoridades com foro privilegiado. A ação da PF foi autorizada pelo ministro Dias Toffoli do Supremo.

Os grampos eram ilegais. 

Nessa mesma operação, a PF descobriu um vídeo, intitulado “Festa da cueca”. A filmagem, segundo noticiaram os veículos de comunicação, mostrava garotas de programa com autoridades do judiciário, em nível hierárquico superior ao do então juiz Sergio Moro. De acordo com analistas políticos, Moro usaria esse vídeo dos magistrados com as putas para chantagear desembargadores que deveriam analisar seus procedimentos jurídicos.

Depois da “bomba” jornalística, lançada por Malu Gaspar contra Moraes, as notícias da “Festa da cueca” e as acusações contra Moro foram caindo em “esquecimento” provisório. Será que foi uma simples coincidência?

Nunca um ano demorou tanto pra acabar. Vou te contar...  

 

 

 

 

 


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