sábado, 10 de agosto de 2024

A insuportável burrice dos robôs de atendimento

 


No antigo Egito, era fundamental investir no post mortem. As famílias gastavam uma grana na construção de pirâmides, sarcófagos, túmulos... Era necessário. Quando a alma retornasse de seu passeio etéreo, retornava ao corpo e, se o corpo do infeliz falecido não estivesse devidamente embalsamado e dentro de um túmulo adequado, a alma ficaria perdida no espaço pela eternidade. Por isso, os pedreiros que construíam os túmulos eram sempre requisitados. Só que muitos não apareciam no horário combinado. Outros enchiam a cara e caíam embriagados dentro dos sarcófagos. Tinha pedreiro que largava o serviço e pegava outro, mais rentável. O pedreiro era tão mal visto no antigo Egito que o pessoal rogava até praga, envolvendo a profissão: "Que o Demônio te coloque nas mãos de um pedreiro".

O meu "pedreiro" egípcio são esses robôs de atendimento. Toda prestadora de serviço agora optou por abolir os seres vivos e enfiar goela abaixo do consumidor esses atendentes burrinhos e mal-educados. 

Acabou a luz aqui em casa e a CPFL me mandou a seguinte mensagem robotizada:

"Oi, aqui é da CPFL! Tô te mandando mensagem porque você abriu uma solicitação com a gente sobre falta de energia. Então, só pra confirmar, a sua energia já voltou?"  

"Tô te mandando"? Sério. É uma afinidade linguística que não desejo. Então, minha cara robô burrinha, se você está usando a segunda pessoa do plural use-a até o final. E "tô" é o caramba. A conjugação correta é "estou". 

"Estou lhe mandando..."

Mais embaixo, a robô grudenta escreve:

"Brigada pela confirmação! Tchau".

Sem energia em casa, um mau humor generalizado, e a robô vem com "brigada" para cima da gente. 

"Brigada".

O correto é "obrigada", robô nó cega. "Obrigada!"

Em breve, essa robô nojenta vai estar falando: "Magina", querendo dizer, na realidade, "imagine". 

Até a CPFL descobrir que estávamos sem luz, demorou. Foram momentos de agonia e suplício. Você liga para o 0800 da companhia de fornecimento de energia e ouve-se um estalo na linha. Uma mini explosão controlada. Aparece na tela do seu celular várias possibilidades de atendimento.

Uma delas é a que você está precisando naquele momento: Falta de energia.

Você clica e o algoritmo não quer lhe atender imediatamente. Ele acha que como você é um humano desprezível e tem tempo de sobra para perder na vida. Entra em ação um controle de acesso extremamente irritante.

"Clique onde estão as escadas". Você clica. Aparecem hidrantes. "Clique onde está o hidrante". Você clica. Não termina. Aparecem motos, caminhões, ônibus, bicicletas e retornam os hidrantes, as escadas, as faixas de pedestres. É um labirinto cibernético enlouquecedor.

Finalmente, aparecem os espaços para você colocar seus dados. Você coloca e o robô diz que não reconhece sua identidade. Tanto sacrifício, tanta escada, tanto ônibus, para nada. O robô não sabe quem você é, embora a conta tenha sido paga direitinho na data estimada. 

Os robôs não se convencem facilmente que você é você. Eles mandam mensagens para seu e-mail, seu celular. Pedem confirmação atrás de confirmação. E ai de você, se trocou o endereço de e-mail. Perde completamente o acesso ao aplicativo, que deseja ter acesso. Ensinaram para o robô que o endereço do e-mail era aquele. Fim. Você não tem como explicar que trocou de provedor. É a morte, meu caro. Esqueça. Os robôs e Clint Eastwood são imperdoáveis.

Não são apenas os robôs que são burrinhos. Quando a gente tem de lidar com pessoas, o resultado pode também ser muito insatisfatório. Outro dia, precisei falar com o Departamento Comercial de uma das principais redes de TV do País. Ligava para o telefone da empresa e pedia para a telefonista transferir para o Departamento Comercial. Caía em classificados, caía em telefones que ninguém atendia, caía em telefones que se cansavam e desligavam depois de muita insistência. De volta à telefonista, eu pedia, de forma humilde e respeitosa: "A senhora poderia me passar o ramal correto do Departamento, para não voltar a todo momento para a senhora?".

"De jeito nenhum", ela respondia. "O único telefone é este. Somos nós que transferimos para o ramal desejado".

"Tudo bem, senhora. O problema é que até agora, depois de uma hora de tentativa, não consegui ser atendido."

"Paciência", ela disse.




segunda-feira, 29 de julho de 2024

Ho Chi Minh e as narradoras de futebol

 


Ho Chi Minh disse uma vez que metade da sociedade humana é

formada por mulheres. Por isso, elas merecem ter direitos iguais aos 

homens. Ho Chi Minh era comuna. Morreu antes de assistir à 

debacle norte-americana no Vietnã. Não viu os últimos helicópteros 

dos Estados Unidos fugindo da embaixada, carregando os últimos 

refugiados, enquanto os vietcongues ocupavam definitivamente 

Saigon.

Concordo com Ho Chi Minh. As mulheres devem ter mesmo todos os direitos iguais aos homens. Com uma única exceção: elas deveriam abrir mão de narrar jogos de futebol.

Um dos meus derradeiros prazeres sobre o planeta é assistir futebol.

 Se bem que tenho visto mais jogos ruins do que memoráveis. 

Na realidade, são raros os craques, são raras as jogadas de efeito, são

 escassos os momentos de alegria e prazer vindos do futebol atual.

Sem craques, sem partidas inesquecíveis, o apaixonado pelo futebol 

precisa caçar, aqui e ali, para tentar encontrar uma partida que 

mereça ser assistida. Quando isso acontece, em muitos casos, quem 

está narrando é uma moça. O jogo está morno como leite esquecido 

no micro-ondas. Mas ela grita. Grita muito, tentando imprimir 

emoção a jogadas banais. A bola é chutada bem lá em cima e a moça 

usa toda a força da garganta para informar o óbvio: a bola não 

alcançou o alvo. Longe disso. Bem longe.


Antes de morrer, o locutor Silvio Luiz declarou, em uma entrevista, 

que mudava de canal, quando o jogo era narrado por uma mulher. 

Silvio Luiz foi um dos melhores narradores de futebol. Tinha 

bordões divertidos (“olho no lance”). Homenageava locutores do 

passado. Com seu estilo personalíssimo, nunca foi cogitado para 

trabalhar na Rede Globo. Em 1982, durante a Copa, a Record não 

tinha os direitos de transmissão. A emissora então apostou em Silvio 

Luiz. A propaganda pedia para o público ligar a TV na Rede Globo, 

desligar o som e ligar na Rádio Record, para ouvir a narração de 

Silvio Luiz. Foi um sucesso imenso. Na época, durante os protestos

contra a Ditadura Militar, os manifestantes gritavam nas ruas: “o povo não é bobo, fora Rede Globo”. O público associava a Globo ao regime militar (na prática, a emissora fazia o papel de relações públicas do regime de exceção) e por isso participava com prazer no boicote aos narradores globais.

No fim da vida, Silvio Luiz percorreu caminho inverso. Saiu da  

faixa guerrilheira e optou por rejeitar as mulheres narradoras.

De minha parte, acredito que mais narradoras irão surgir e entre as 

próximas estrelas haverá mais diversão e menos gritos. Vou dar boas 

risadas com os bordões, com as sacadas e vida que segue.

Tomara que o mesmo aconteça com o futebol. A primeira medida 

urgente seria impedir a exportação de craques infantis, adolescentes 

e com idade de servir o Exército. O craque aparece. A torcida se 

inflama. Aprende o nome dele. Começa a gritar na arquibancada e – 

de repente, não mais que de repente – o garoto está em Madri, sendo 

apresentado pelo presidente do clube bilionário.

Pode isso, Arnaldo? 


terça-feira, 9 de julho de 2024

O manifesto lésbico da série Deadloch

 

Série australiana foi vista por milhões e terá agora uma segunda temporada

Estreou em 2023 pelo streaming (Prime). Fez sucesso e, conforme foi anunciado hoje, vem aí mais uma temporada. É "Deadloch", a série australiana, escrita por duas Kates: Kate McCartney, 43 anos, e Kate McLennan, 44 anos. McCartney é noiva da militante LGBT+ Sally Rugg; e McLennan vive com Joel Elbourne, com quem teve uma filha. 

"Deadloch" brinca com a expressão inglesa "deadlock", que significa impasse, quando os processos jurídicos não podem ir para a frente. A história se passa em uma cidadezinha da Tasmânia (ilha situada na costa sul da Austrália), chamada "Deadloch". Duas detetives investigam mortes de homens brancos e héteros. Uma das detetives é certinha e segue o manual. A outra cria suas próprias regras e não segue qualquer manual. 

A exemplo da série estrelada por Jodie Foster, na quarta temporada de "True Detective", os homens retratados nos episódios de "Deadloch" são grotescos, inúteis, agressivos, ingênuos, bêbados, falsos e sabe-se lá mais quantos adjetivos pejorativos a gente poderia elencar. Não há em "Deadloch" um único homem decente, em quem a gente poderia chamar para ser padrinho do nosso casamento. 

A figura masculina mais simpática, gentil, empática e colaboradora é homossexual. Os homens héteros, que detêm o comando, são absolutamente incompetentes e só atrapalham a investigação das duas detetives. 

O pior desempenho fica por conta de Madeleine Sami que vive a detetive maluquete "Eddie Redcliffe". No papel de uma policial boca-suja, mal vestida, sem modos, de temperamento irascível, ela é o protótipo da caricatura. Não convence.

Muito melhor está Kate Box, fazendo a policial certinha "Dulcie Collins". Ela parece mesmo uma detetive ciente de seus deveres, a todo momento atrapalhada pela equipe, que parece mais preocupada com detalhes inúteis e corriqueiros do cotidiano do que com a investigação propriamente dita.

Na série, a doidinha "Eddie" é hétero; e a dedicada "Dulcie", lésbica. "Dulcie" é casada com uma militante do bem-estar, envolvida em cruzadas do politicamente correto. Provavelmente, muito do personagem de "Dulcie" deve ter sido inspirado na vida da autora Kate McCartney, que, como foi dito acima, é casada com uma militante LGBT+. 

Os diálogos entre as duas esposas evocam a dificuldade crescente de se manter uma relacionamento matrimonial estável, seja ele lésbico, hétero, trisal etc. As duas se amam, mas, como brigavam muito, quando viviam em Melbourne (no continente australiano), decidem se deslocar por cerca de 500 quilômetros e refazer a vida em uma vilarejo da Tasmânia. 

O ponto alto da série são as brigas do casal "Dulcie" e "Cath" (Alicia Gardiner). "Dulcie" ama a profissão e quer continuar na carreira de detetive, mas a esposa "Cath", que é veterinária, advogada, cozinheira e pau pra toda obra, sente ciúmes da profissão da companheira e tenta podá-la, o que deixa nervos expostos na relação da duas. 

Para atrair a atenção de turistas, a prefeita de "Deadloch" cria atrações diversas, a maioria voltada para o público LBGT+, o que transforma o vilarejo em uma sucursal da Ilha de Lesbos. 

Em meio à diversidade de gênero, vivem os locais - os aborígenes - expulsos de suas terras e relegados a trabalhos de servidão, o que provoca revolta e animosidade cívica. Situação muito semelhante à exposta em "True Detective 4". No caso da série estrelada por Jodie Foster, os esquimós são os excluídos, em busca de vingança.

"Deadloch" tem oito episódios. Apesar da péssima interpretação de Madeleine Sami, o suspense até acontece. O enredo sugere um manifesto lésbico-feminista, mas é possível assistir a primeira temporada com olhar beneplácito. 


"The lesbian manifesto of the Deadloch series"

It premiered in 2023 on streaming (Prime). It was a success, and as announced today, another season is on the way. It’s Deadloch, the Australian series written by two Kates: Kate McCartney, 43, and Kate McLennan, 44. McCartney is engaged to LGBT+ activist Sally Rugg, and McLennan lives with Joel Elbourne, with whom she has a daughter.


Deadloch plays on the English expression "deadlock," which means a stalemate, when legal processes cannot move forward. The story takes place in a small town in Tasmania (an island off the southern coast of Australia) called Deadloch. Two detectives investigate the deaths of white, heterosexual men. One of the detectives is by-the-book and follows the manual. The other creates her own rules and doesn’t follow any manual.


Similar to the series starring Jodie Foster in the fourth season of True Detective, the men portrayed in Deadloch are grotesque, useless, aggressive, naive, drunk, fake, and who knows how many other pejorative adjectives we could list. There isn’t a single decent man in Deadloch whom you could call to be the best man at your wedding.


The most likable, kind, empathetic, and cooperative male figure is homosexual. The heterosexual men in charge are utterly incompetent and only hinder the investigation carried out by the two detectives.

The worst performance comes from Madeleine Sami, who plays the quirky detective "Eddie Redcliffe." In the role of a foul-mouthed, poorly dressed, ill-mannered, and hot-tempered police officer, she is the epitome of a caricature. She fails to convince.


Much better is Kate Box, playing the by-the-book officer "Dulcie Collins." She truly seems like a detective aware of her duties, constantly hindered by her team, which seems more concerned with useless and mundane daily details than with the investigation itself.

In the series, the quirky "Eddie" is heterosexual, and the dedicated "Dulcie" is a lesbian. "Dulcie" is married to a wellness activist involved in politically correct crusades. Likely, much of "Dulcie’s" character was inspired by the life of writer Kate McCartney, who, as mentioned above, is married to an LGBT+ activist.


The dialogues between the two wives highlight the growing difficulty of maintaining a stable marital relationship, whether lesbian, heterosexual, throuple etc. They love each other, but because they fought so much while living in Melbourne (on the Australian mainland), they decided to move about 500 kilometers away and start over in a small village in Tasmania.


The highlight of the series is the fights between the couple "Dulcie" and "Cath" (Alicia Gardiner). "Dulcie" loves her job and wants to continue her career as a detective, but her wife "Cath," who is a veterinarian, lawyer, cook, and jack-of-all-trades, feels jealous of her partner’s profession and tries to curb it, which exposes raw nerves in their relationship.


To attract tourists, the mayor of Deadloch creates various attractions, mostly aimed at the LGBT+ audience, turning the village into a branch of the Isle of Lesbos.


Amid the gender diversity, the locals—the Aboriginal people—live expelled from their lands and relegated to servile work, which provokes outrage and civic animosity. A situation very similar to that depicted in True Detective 4. In the series starring Jodie Foster, the Inuit are the excluded ones, seeking revenge.

Deadloch has eight episodes. Despite Madeleine Sami’s poor performance, the suspense does work. The plot suggests a lesbian-feminist manifesto, but it’s possible to watch the first season with a benevolent eye.     

  

domingo, 2 de junho de 2024

Nem toda "editora" merece ser chamada de editora

 

Livraria Lello - dizem que é uma das mais belas do mundo

Você está navegando sem compromisso pela rede social e topa com um anúncio que lhe interessa: "Editora procura novos autores". Você entra em contato. A "editora" responde e você percebe que não se trata, na realidade, de uma editora convencional. Na prática, eles publicam a sua obra, desde que você (o autor desavisado) pague. 

Aconteceu comigo. Quando percebi que se tratava de publicação paga, tirei o time de campo.

Semana passada, tive um debate acalorado, por e-mail, com uma representante de uma suposta editora (não vou divulgar o nome para dar publicidade a quem não merece). 

Essa representante da "editora" me perguntou se deveria aguardar ou se podia excluir a minha submissão (eu havia encaminhado um manuscrito).

Respondi o seguinte:

"Na realidade, (...) não é uma editora, mas se trata de uma gráfica. Seria melhor e evitaria aborrecimentos, se a empresa deixasse isso claro em suas manifestações de marketing."

A pessoa, que fala em nome da "editora", respondeu que sabia quem era e explicou que "gráficas somente imprimem. Editoras editoram, editam, de fato, trazem diagramação, capas, registros, publicações ainda que não impressas. Não compreendi seu comentário, muito menos sua dúvida, mas fico aqui para saná-la".

Argumentei que "sei o que é uma editora e sei também o que é uma gráfica. As editoras que publicaram meus livros não cobraram pela edição. Foram produzidas capas, foi feita a revisão e o produto lançado no mercado. Quando os livros são vendidos, recebo pontualmente a porcentagem que cabe ao autor. É assim que funciona uma editora".

O meu argumento não serviu para esclarecer a pessoa. Ao contrário, parece tê-la ofendido. Ela respondeu:

"Está dizendo para uma editora como uma editora funciona? Para uma editora que atua em 23 países e há quase 10 anos? Por favor, e com todo o respeito, ponha-se em seu lugar. Se as editoras que o senhor já trabalhou funcionam assim, agradeça aos impostos pagos; são editoras financiadas por órgãos públicos (em raros casos, particulares). Tenha certeza que não deixaram de te cobrar, porque são legais ou bondosos, basta raciocinar. Somos sim uma editora (a palavra editora em vermelho sangue no e-mail original), não temos financiamento algum (mas trabalhamos junto a autores financiados) e fazemos um excelente trabalho!". 

Ela ainda pediu para eu não "espalhar informações falsas mundo afora", porque o meu pensamento era limitado. "Conte conosco", encerrava o e-mail.

Minha resposta foi breve:

"Uma editora NÃO cobra o autor pela impressão de sua obra. Uma gráfica COBRA. Simples assim."

 Toquei em algum nervo descoberto, porque o e-mail seguinte veio espumando de puro ódio:

"Jornalistas não devem fazer pesquisas? O jargão 'vergonha da profissão' nunca foi mais bem usado do que aqui. Pode ser que um belo dia, você não dê de cara com alguém tão bem humorado como eu (no original "bem humorado" no masculino, embora o e-mail da representante da editora estivesse usando um nome feminino) Suas falsas acusações e insistências - que se originam em sua falta de noção, educação e vergonha - podem te levar a um processo, cuidado. Expliquei, porque não espero que saiba de direito, tendo em vista..." Terminava assim mesmo, meio no ar.

Não sei por que insisti em buscar esclarecê-la. Escrevi o seguinte:

"Desculpe, mas você está sendo muito agressiva comigo. Em nenhum momento, lhe desrespeitei. Estou tentando lhe explicar que existe uma diferença entre uma editora que seleciona manuscritos e os publica; e uma gráfica que cobra para fazer a impressão. Quando a sua 'editora' fizer publicidade e pedir que lhe sejam enviados manuscritos, deve deixar claro que se trata de publicação paga. Isso evitaria embaraços como este que estamos passando. Em relação ao processo, que você está me ameaçando, é via de mão dupla".

A suposta "moça" da "editora" resolveu bater pesado:

"Teve culhões para alegar por 3x que não somos uma editora, pois tenha culhões para ser respondido. Te dei as informações necessárias já no dia de ontem, o senhor tem o Google a sua disposição e INSISTIU em nos desrespeitar. Mais uma vez: empresas privadas cobram o valor que desejam para fazer QUALQUER serviço.
Isso NÃO desconfigura o CNAE da empresa. Não somos uma ONG!!! EDITORAS EDITAM - GRÁFICAS IMPRIMEM.
Ainda está difícil de compreender, me parece...Isso não é uma questão de opinião. Fatos são fatos. E fatos são comprovados na justiça, como bem informei. Apenas, PARE. E não me retorne mais, pois o senhor desconhece o que é limite e respeito, o que é uma pesquisa, o que é bom senso, o que é uma editora, uma gráfica, uma ONG, e segue..."

O tal do CNAE mencionado significa Classificação Nacional de Atividade Econômica. Como o nível estava beirando a sarjeta, decidi não retomar a discussão. 

Fiz uma busca no Reclame Aqui e em outros locais e verifiquei que essa "editora", em questão, é taxada de "falta de profissionalismo". Outros autores reclamam do assédio, do excesso de e-mails enviados a eles, mesmo não desejando receber comunicados da "editora". 

Uma associação internacional chama atenção para "editoras predatórias", "com práticas suspeitas e de qualidade editorial duvidosa, mas que garantem, sempre mediante o pagamento de taxas, a publicação rápida do trabalho, normalmente sem qualquer revisão por pareceristas". E, em especial, a associação qualifica a "editora", com a qual tive o desprazer de um "debate", como "predatória".

Como sou só um autor, "sem grana, sem parentes importantes" e vim para o interior, acredito que caberia à Câmara Brasileira do Livro, que representa editores, livreiros e profissionais do setor, selecionar o que são editoras de fato e essas supostas "editoras", que utilizam o nome de editora, mas que na prática são apenas gráficas que imprimem o material pago pelo autor. 

As gráficas hoje têm excelência em sua atuação. Inúmeras gráficas fazem diagramação, escolhem capas e realizam até a revisão de trabalhos manuscritos. Não há ofensa alguma em chamar uma empresa, que imprime livros, de "gráfica". Mas uma gráfica é diferente de uma editora. São papéis diversos que elas interpretam.

Como disse em minha arguição à representante da suposta "editora", as editoras de fato são extremamente profissionais. O manuscrito é selecionado. Os editores solicitam uma ou outra alteração. O original é revisado. Em seguida, as capas são produzidas e encaminhadas para a aprovação do autor (ou para conhecimento dele). Publicados os livros, à medida que as vendas são realizadas, o autor recebe o equivalente a dez por cento do preço da publicação. É assim que funciona uma editora.

Espero que a Câmara Brasileira do Livro, com tantos e importantes serviços em prol de autores, separe o joio do trigo (para usar uma expressão nova), normatizando o mercado. Não dá mais para os autores encaminharem seus manuscritos (às vezes, o que representa um trabalho de anos) para "editoras" que, na realidade, atuam como gráficas.

  




segunda-feira, 6 de maio de 2024

Em época de alteração climática, governos deveriam tornar SUVs obsoletos

 


SUV, traduzido do inglês, significa "veículo utilitário esportivo". Na prática, é um carro enorme, poluente, bebedor, autoritário, que manda uma espécie de recado subliminar a quem está sendo ultrapassado por ele: Sai da frente, pobre. Sou rico, poderoso e o senhor dos caminhos.

Na Europa, o cerco aos SUVs começou pra valer. Governos aumentaram as taxas de circulação. Na Itália, centros históricos pensam em banir completamente a presença dos SUVs. Paris já sobretaxou esses veículos e Londres segue pelo mesmo caminho.  À noite, ecoativistas têm percorrido as ruas europeias e esvaziado os pneus desses gigantes.

Em plena crise climática, com desastres naturais ocorrendo por todo o planeta, como pode o consumidor ainda pensar em comprar um SUV? Movido a diesel ou gasolina, polui a atmosfera de maneira soberana e irresponsável. É um Tiranossauro Rex na cidade: ocupa muito espaço, faz espalhafato, se espalha por duas vagas nos estacionamentos. É um delinquente ambiental.

Por causa do tamanho gigantesco, esses carros têm se tornado protagonistas na matança de pedestres. Estudo produzido nos Estados Unidos revelou que a presença dos SUVs nas ruas aumentou em 57% o número de pedestres atropelados e mortos.

No Brasil, o país mais desigual do mundo, as vendas de SUVs cresceram 35%. O consumidor brasileiro, pelo jeito, está pouco se lixando para mudança climática, para uma postura mais sustentável, ele quer mesmo é ostentar, igual aos influencers que se projetam nas mídias sociais a bordo do luxo efêmero. Esse pessoal lembra o imperador Nero que tocava violino, enquanto um incêndio monumental queimava Roma (a gente sabe que isso é uma lenda, porque não tinha violino naquela época e Nero nem estava em Roma).

O preço dos SUVs é estratosférico. Tem modelos que custam 1 milhões de reais. Outros, mais em conta, saem por 270 mil, 300 mil e um Hyundai Palisade (considerado o maior SUV do mercado) sai da loja por módicos 500 mil reais. 

Garimpando notícias aqui no Brasil, não se veem medidas mais ortodoxas para acabar com a farra dos SUVs. O governo deveria quadruplicar, quintuplicar seus impostos sobre esses delinquentes ambientais. 

Para os céticos que dizem que nada muda, por isso não adianta mudar, houve avanços surpreendentes no que se refere ao cerceio de hábitos nocivos. Acredito que o melhor exemplo é o do banimento do tabaco, do cigarro social. Antes, a vida do não fumante era um suplício diário. Fumava-se no transporte público, nos locais de trabalho, nos restaurantes, aviões. Em todo lugar. Você ia a uma festa e saía cheirando cinzeiro. O cigarro foi inteligentemente banido da esfera social. É um ganho de qualidade de vida você poder comer em um restaurante, sem a companhia desagradável e nefasta de um fumante seu vizinho de mesa. 

O próximo passo agora seria banir os refrigerantes. Sobretaxá-los. Mas, melhor ainda, antes dos refrigerantes, a alça de mira deveria se posicionar sobre os SUVs. A primeira medida, seria obrigar os fabricantes a produzir esses gigantes apenas elétricos, sem uso de qualquer outro combustível. Nada de híbridos. Depois, como eles são muito grandes, como ocupam muito espaço, como atropelam muitas pessoas, uma sobrecarga tributária seria bem-vinda. 

E um recado ao ecoativista europeu: pare de esvaziar pneu de carro. Isso é uma bobagem. Pense em criar medidas restritivas e viáveis no parlamento de seu país. É bem mais prático do que ficar com dor nas costas de tanto esvaziar pneu. 

    

domingo, 5 de maio de 2024

Carros elétricos sofrem campanha de difamação

 

Modelo produzido pela chinesa BYD custa 115 mil reais

Pouco antes de entrar no século 20, por volta de 1895, Santos Dumont dirigia um carro movido a gasolina em Paris (França). Não gostava do cheiro e nem do barulho que a "carroça" fumegante fazia. Tirou o motor e colocou no lugar baterias. Circulava feliz da vida pela avenue des Acacias, com seu carrinho elétrico, que não fazia barulho, nem soltava fumaça, nem destruía o clima do planeta.

O buggy elétrico de Santo Dumont

Além de construir um avião, que decolou, fez a volta no torre Eiffel e pousou novamente, Santos Dumont certamente foi o primeiro brasileiro a ter um carro elétrico.

Os carros elétricos não utilizam combustível fóssil (diesel, gasolina), são silenciosos e resumem uma tecnologia de ponta, que reuniu todo o conhecimento humano sobre locomoção. Tirando os inconvenientes posicionamentos pessoais do bilionário filhinho de papai mimado Elon Musk, ele conseguiu criar um veículo absurdamente inteligente e não poluente. Não libera as partículas poluentes que estão matando o clima. Um familiar, que tem usado diariamente um Tesla, disse assombrado que "podem falar o que quiserem do Elon Musk, mas esse é o melhor carro do mundo". 

Estive ontem em um shopping, onde havia um show room de carros elétricos da chinesa BYD. Um Dolphin (veja imagem no alto) é um show de recursos tecnológicos. Tem potência, autonomia de 280 quilômetros, central multimídia, seis air bags, câmera de ré, sensores de estacionamento. Reportagens publicadas neste mês estimavam que o Dolphin custaria menos de 100 mil reais. Não custa. A vendedora me informou que o preço de venda é 115 mil reais. O carro é uma tentação. 

O problema maior dos carros elétricos hoje são as múltiplas campanhas que têm sido recorrentes - principalmente nas mídias sociais - para desencorajar futuro compradores. Quem fizer uma pesquisa rápido no YouTube vai ficar assombrado: carros elétricos pegam fogo, explodem, não vão dar certo no Brasil, estão sendo retirados do mercado. Vídeos falsos mostram explosões, desmentidos posteriormente, quando o estrago já foi feito: 

 https://g1.globo.com/fato-ou-fake/noticia/2023/08/23/e-fake-que-incendio-mostrado-em-video-seja-entre-dois-carros-eletricos.ghtml

Todos os dias, ao entrar nas redes sociais, me deparo com depoimentos, entrevistas, vídeos destinados a fazer a cabeça do público de que carro elétrico é uma roubada. 

Quem será que está por trás dessa campanha? De onde surge tanto material corrosivo e nem sempre verídico?

Em 2006, o cineasta Chris Paine fez um documentário intitulado "Quem matou o carro elétrico" https://www.youtube.com/watch?v=7tcv2ZXTk_E. A produção mostrava um modelo EV-1 da General Motors, que não precisava de troca de óleo, gás, nem escapamento e freios. O documentário deixava perceber nas entrelinhas que a morte do carro elétrico tinha um mandante. Aliás, vários mandantes. Seriam eles a indústria automotiva, a indústria petrolífera e o próprio governo norte-americano.

Conspirações à parte, passados 18 anos, a campanha contra o carro elétrico continua. É incansável. Está agora no seu celular, no seu notebook, no seu PC. Quem está por trás das mensagens negativas contra o carro elétrico?  

Assustadoramente atual, o filme de Chris Paine mencionava que os fenômenos climáticos se tornariam cada vez mais extremos e seriam a maior preocupação das nações nos anos seguintes.

O Rio Grande do Sul foi devastado por um fenômeno climático sem precedentes. O Sudeste enfrenta temperaturas de 36 graus em pleno mês de maio. Será tão difícil assim perceber que é preciso enfiar uma estaca de madeira profunda e imperdoável no coração da indústria petrolífera? As medidas têm de ser tomadas hoje. Nada de plano, de reuniões, de procrastinação. Tem de ser agora.  


sábado, 24 de fevereiro de 2024

Lula e a prisão das ideologias

Lula e Zelensky posam para a foto

 A invasão da Rússia na Ucrânia completa dois anos. São cerca de 700 mil mortos e 730 dias de imagens de prédios destruídos, movimentação de tropas e veículos blindados, gente chorando, gente morta, o presidente ucraniano Volodymir Zelensky de pires na mão pedindo ajuda à Europa e aos Estados Unidos, para tentar impedir a ocupação total de seu território. 

Gostaria que o presidente do meu país transformasse em palavras o que eu sinto. O que eu sinto é uma aversão ao autocrata russo Vladimir Putin, presidente de 2000 a 2008 e de 2012 até agora (no curto intervalo entre 2008 e 2012 ele foi primeiro ministro), que invadiu a Crimeia, em 2014 e em 2022, a Ucrânia. 

Vladimir Putin invadiu a Ucrânia, porque precisava "defender" o território russo da "ameaça ocidental". Qual "ameaça"? Quando o ocidente iria atacar a Rússia? Essas perguntas sem resposta indicam que a Ucrânia está sendo vítima de um valentão ("bully" para usar a palavra inglesa da moda). Ao assumir a presidência, Zelensky sabia que o vizinho gigante era uma ameaça real. Foi em busca da Otan (Organização do Tratado Atlântico Norte). Pediu para a Ucrânia ser admitida no grupo de países que antigamente se opunham à União Soviética. A Otan era uma organização, quase em declínio, quase pronta para ser desmantelada. Coube a Putin a primazia de "reerguer" a Otan.

Em 1982, eu morava no interior da França e a Guerra Fria ainda era uma realidade. Muito distante, é verdade, mas presente no dia a dia. A gente andava na rua e quase toda semana o céu era riscado por caças bombardeiros, em treinamento da Otan. Os caças e tropas iam até a fronteira da antiga URSS e retornavam a suas bases. Em determinados dias, eram acionadas sirenes, que alertavam para possível ataque "inimigo". Era um ambiente de tensão constante. 

A União Soviética acabou. Veio abaixo com a derrubada do Muro de Berlim, em 1989. A Rússia trocou as cores da bandeira vermelha com a foice e o martelo, pela tricolor branco, azul e vermelho. Atualmente, nas cerimônias em Moscou, predomina o azul. Estranhamente, mesma cor do Partido Democrata norte-americano. 

Por que o presidente do meu país não se posiciona contra a invasão da Ucrânia, criticando de maneira feroz a Rússia e Vladimir Putin? Por que não usa o mesmo tom de indignação que empregou para criticar a destruição da Faixa de Gaza pelos israelenses?

Por causa de uma presença fantasmagórica chamada "ideologia". Li recentemente vários comunicados da esquerda na América Latina e em outros países e existe um termo comum, entre eles, que é o desejo de "proteger" a Rússia da "ameaça capitalista ocidental". Um desses comunicados menciona derrubar o governo eleito de Zelensky, substituindo-o por um governo "popular", da "classe trabalhadora".

Como assim? Zelensky foi eleito pela "classe trabalhadora" ucraniana, pelos aposentados e estudantes. É um mandatário legítimo, escolhido pela maioria dos eleitores.

Supostamente, preso a esse posicionamento ideológico perturbador, Luiz Inácio Lula da Silva prefere atacar Israel e se omite em relação à Ucrânia. Reiterou que Israel está cometendo "genocídio" ao "matar mulheres e crianças palestinos". 

Não é genocídio. Esta palavra implica em extermínio deliberado de um grupo étnico, racial ou religioso. As tropas israelenses não saíram de seus quartéis para exterminar palestinos. O exército de Israel reagiu a um ataque absurdo, cometido por um grupo terrorista, em 7 de outubro do ano passado, contra idosos, crianças, bebês, adolescentes, adultos. Os terroristas saíram matando a torto e direito. Vi na TV a imagem de uma senhora judia, de cerca de 80 anos, sendo levada pelos terroristas em um carro aberto (parece um Jeep). A multidão aplaudindo, como se fosse um grande feito heroico raptar uma idosa, que devia estar em casa, preparando o chá da tarde.

Israel iniciou uma guerra reativa contra os vizinhos. Só deve encerrar as hostilidades, quando formar uma faixa de segurança extensa, que antecederá em quilômetros os limites de seu território.

Como eu me sinto ao ver corpos de mulheres e crianças, em meio a escombros de prédios destruídos pelo bombardeio israelita?
Atualmente, tenho mudado de canal. Não consigo mais assistir essas imagens. Considero terrível essas 30 mil mortes de palestinos. Existe uma guerra em curso e é dilacerante presenciar tanta desgraça, ver tantas vidas destruídas, casas e apartamentos que viraram escombros, famílias esfaceladas. Filhos sem pais. Mães sem filhos. 

Grupos extremistas, como o Hamas (que covardemente atacou e matou pessoas desarmadas), não querem selar tratados de paz. Não querem conviver pacificamente com o vizinho. Não importa para esses grupos extremos que os palestinos tenham um país. O Hamas, a Jihad Islâmica, o Hezbollah só tem um único propósito: destruir Israel. Esses extremistas - se forem liquidados amanhã - serão substituídos no dia seguinte por outros, com os mesmos propósitos, a mesma deliberação ensandecida.

Voltando à Ucrânia, talvez o real motivo que faça com que o presidente Lula se omita em relação à violência russa seja menos uma questão ideológica, como os analistas internacionais supõe, e mais o fator econômico e político. O Brasil exporta produtos agropecuários para a Rússia e esta vende para o Brasil, principalmente, fertilizantes nitrogenados. Os dois países são parceiros de negócios. Em outubro, haverá encontro dos Brics (acrônimo que designa Brasil, Rússia, Índia e China) e Lula viajará para a Rússia, onde terá encontro privado com Vladimir Putin. Deve aparecer na foto dando a mão ao autocrata russo.

É a economia, imbecil. 

 


     
 

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

"True Detective" e a pior chefe de polícia da história

 

Jodie Foster faz o papel de chefe de polícia em vilarejo do Alaska

Jodie Foster, aos 61 anos, estrela a quarta temporada de "True Detective". Ela é a chefe de polícia de Ennis, uma cidade gelada e esquecida do mundo no invernal Alaska. Jodie Foster é também a pior chefe de polícia da história do cinema. Pode ser que tenha alguém tão ruim quanto ela, mas superá-la vai ser difícil. 

"True Detective" começou bem na primeira temporada com Mattew McConaughey e Woody Harrelson, no papel dos detetives, encarregados de descobrir um assassino em série que agia no estado de Louisiana (EUA). A história tinha um lapso de tempo de 17 anos, com os dois detetives voltando a se reencontrar para encontrar o criminoso.

A história segurava o público, com as atuações irrepreensíveis de Mattew McConaughey e Woody Harrelson. Havia a obsessão dos dois policiais em encontrar o assassino, as horas e horas dedicadas à investigação, o estudo das fotos das vítimas, a revisão dos inquéritos. Eles eram incansáveis e as cenas insistiam em mostrá-los dentro de uma viatura policial, percorrendo os campos desolados da Louisiana. Era um trabalho cansativo e infatigável. 

Se "True Detective" começou bem, esta última temporada - a quarta - tem tantos absurdos e bobagens que é até difícil elencar qual é o pior momento. Jodie Foster passou a vida no show business. Tem 58 anos de carreira. Nos filmes que protagoniza, ela é atacada ou ameaçada por homens. É uma especialidade. Foi assim em "Taxi Driver", "Silêncio dos Inocentes", "O quarto do pânico", "Acusados". Neste último filme, por sinal, ela é estuprada por vários homens em um bar. 

Nesta série "True Detective", Foster gosta de homens e tem até um caso tórrido com um coroa fora de forma. Como chefe de polícia, ela age sempre ao arrepio da lei, como diria um promotor de Justiça.

Imagine o seguinte: você é um policial e vê o seu colega de farda assassinar um homicida. O seu colega não quis saber de levar o suspeito preso, de acusá-lo formalmente, enfim, agir de acordo com aquele profissional que atua dentro do rigor da lei. O colega matou e você - pior ainda - queria ter tido a primazia da execução. Parece que a gente está em um morro carioca, ocupado pelo tráfico, mas não é. A história se passa nos Estados Unidos.

Em outro momento, um agente corrupto é assassinado dentro da sua casa e, ao invés de você chamar a Corregedoria, de registrar a ocorrência, de atuar dentro do limite legal; não, você manda limpar a cena do crime e sumir com o corpo do policial corrupto. É uma bagunça essa delegacia do Alaska.

A pior parte da trama são as cenas de "terror". Vários personagens veem gente morta, conversam com as almas perdidas, ouvem chamados do além. As cenas tentam provocar medo nos assinantes. Múmias descabeladas aparecem do nada e gritam: Uiiiiii. No Alaska, quase todo mundo tem uma alma perdida de estimação. Essas almas perdidas não têm qualquer função dentro da história. Servem apenas para sugerir que estamos vendo algo do gênero terror. 

Felizmente, uma personagem muito chata, bem irritante, tira a roupa e vai se escafeder no gelo, nos livrando da sua presença insuportável. A gente não deveria, mas fica feliz em ver que ela morreu congelada. 

A policial, vivida por Jodie Foster, comete outros descaminhos. O pior deles é ser testemunha de uma confissão de crime, cometido contra oito pessoas. Ficar sabendo dos detalhes da execução. Ouvir tudo atentamente e - simplesmente - deixar pra lá. Vam'bora que a luta continua. Um acinte. 

Esta quarta temporada poderia ter sido mais eficaz ao dar o seu recado. A história central fala de uma mina subterrânea que tem causado sérios danos ao meio ambiente e prejudicado a vida dos locais. É a mesma história da mina do Córrego do Feijão, da Vale do Rio Doce, que teve rompimento de uma barragem e soterrou e matou 272 pessoas. As mineradoras oferecem emprego a quem mora na localidade, mas a destruição ambiental é catastrófica. Em Ennis, a cidade fictícia onde Jodie Foster é chefe de polícia, a mina é altamente poluidora e transformou a água da cidade em lama preta. Nascem crianças mortas e muitos adoecem de câncer. 

Ou seja, tem história a ser contada. Mas os roteiristas decidiram criar um carnaval de múmias, espíritos perdidos, que fazem com que o assinante perca a paciência. Sem falar nos autóctones, que a gente chamava antigamente de "esquimós", retratados de uma maneira grotesca, com costumes pouco compreensíveis (por que cargas d'água os locais precisam pintar traços pretos debaixo do queixo?, por que isso é tão importante?). 

Um péssimo programa esta quarta temporada de "True Detetctive", em exibição pelo canal de assinatura HBO Max.  

Em inglês:


Jodie Foster, at 61 years old, stars in the fourth season of "True Detective." She plays the police chief of Ennis, a cold and forgotten town in the wintry Alaska. Jodie Foster is also the worst police chief in film history. There may be someone as bad as her, but surpassing her will be difficult.

"True Detective" began strong in its first season with Matthew McConaughey and Woody Harrelson, playing detectives tasked with uncovering a serial killer in the state of Louisiana (USA). The story spanned 17 years, with the two detectives reconnecting to find the criminal.

The story kept the audience engaged, thanks to the impeccable performances of Matthew McConaughey and Woody Harrelson. There was the obsession of the two officers to find the killer, the countless hours spent investigating, studying the victims' photos, reviewing the reports. They were tireless, and the scenes insisted on showing them inside a police car, driving through the desolate fields of Louisiana. It was a tiring and relentless job.

While "True Detective" started well, this latest season — the fourth — has so many absurdities and nonsense that it's hard to pick the worst moment. Jodie Foster has spent her life in show business. She has 58 years of career. In the movies she stars in, she is attacked or threatened by men. It’s a specialty. It was like this in "Taxi Driver," "The Silence of the Lambs," "Panic Room," and "The Accused." In the latter, she is raped by several men in a bar.

In this "True Detective" series, Foster likes men and even has a torrid affair with an out-of-shape older man. As the police chief, she constantly acts against the law, as a prosecutor would say.

Imagine this: you’re a police officer and see your colleague in uniform murder a murderer. Your colleague didn’t care about arresting the suspect, formally accusing him, or acting according to the professional standards of the law. The colleague killed him, and you — worse still — wished you had been the one to execute him. It feels like we're in a Rio de Janeiro slum controlled by the drug trade, but it’s not. The story takes place in the United States.

At another point, a corrupt agent is killed in his home, and instead of calling Internal Affairs, filing a report, or acting within the legal limits, you order the crime scene to be cleaned and the corrupt cop’s body disposed of. It's a mess in that Alaskan police station.

The worst part of the plot is the "horror" scenes. Several characters see dead people, talk to lost souls, and hear calls from beyond. The scenes try to provoke fear in the viewers. Messy, disheveled mummies appear out of nowhere and scream, "Uiiiiii." In Alaska, almost everyone has a lost soul as a pet. These lost souls serve no purpose in the story. They only suggest that we are witnessing something of the horror genre.

Fortunately, a very annoying character, quite irritating, takes her clothes off and heads out into the ice, freeing us from her unbearable presence. We shouldn’t, but we’re relieved to see her freeze to death.

The police officer, played by Jodie Foster, commits other missteps. The worst of them is witnessing a confession of a crime committed against eight people. She learns the details of the execution, listens carefully to everything, and — simply — lets it go. Let's move on, the struggle continues. A slap in the face.

This fourth season could have been more effective in delivering its message. The central story revolves around an underground mine that has caused serious environmental damage and harmed the locals’ lives. It's the same story as the Córrego do Feijão mine disaster, with Vale do Rio Doce, where a dam collapse buried and killed 272 people. The mining companies offer jobs to people in the area, but the environmental destruction is catastrophic. In Ennis, the fictional town where Jodie Foster is the police chief, the mine is highly polluting and has turned the town's water into black sludge. Dead babies are born, and many people fall ill with cancer.

In other words, there’s a story to be told. But the writers chose to create a carnival of mummies and lost spirits that make the viewer lose patience. Not to mention the indigenous people, once called "Eskimos," depicted in a grotesque manner, with incomprehensible customs (why do the locals need to paint black lines under their chins? Why is this so important?).

A terrible program, this fourth season of "True Detective," airing on the HBO Max subscription channel.      

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

É difícil achar o Brasil no meio da bagunça

 


A primeira página da edição online do "Estadão" informa que haverá nova legislação para coibir as "saidinhas" de presos. Vêm, em seguida, notícias do Corinthians (sem técnico), casal de influenciadores norte-americanos se deu mal, duas articulistas e duas notícias descem a lenha no ministro do STF Dias Toffoli, lançamento do novo Chevrolet e uma cachaça premium. 

O "Estadão" é um jornal do Olimpo. O País está em meio a uma dramática crise sanitária, com a dengue matando pessoas, e a primeira página do jornal nem dá bola pra isso. Dane-se a dengue!

Quem passeia por São Paulo, a capital, tropeça em 30 mil pessoas (homens, mulheres, crianças, idosos) vivendo sob pontes, viadutos, em condições de suprema e escaldante miséria. Causa estranhamento que esse quadro de sufocante desigualdade social não esteja na primeira página do jornal. De todos os jornais do País. Que sociedade construímos que permite que 30 mil pessoas - praticamente uma cidade - viva em condições humilhantes, de degradação profunda. Onde estão o presidente, o governador, o prefeito, o raio que o parta que não tira essas pessoas da rua, que não consiga lhes dar um teto? Como é possível viver numa sociedade que têm 30 mil pessoas morando na sarjeta?

A miséria não entra em pauta. Permanece remanejada para o inconsciente. A gente sabe que existe. A gente convive com os desgraçados, mas continua tocando a vida. "Nossa, dormiram na frente do nosso prédio ontem. Precisamos colocar uma lanças pontiagudas debaixo da marquise para afastar os mendigos." 

O País vive desastres hidrológicos e geológicos periódicos e fatais. Chove muito, porque a maior parte do País se encontra entre a linha do Equador e o Trópico de Capricórnio. Ou seja, é um país tropical, sujeito a chuvas e deslizamentos.

Sem condições de pagar aluguel, sem ter onde morar, centenas de famílias vivem às margens de córregos insalubres, fedorentos. Quando chove (e chove sempre e muito de novembro a março), as águas dos córregos e rios sobem. Sempre irão subir. As moradias, próximas às águas correntes de pequeno porte, vão descobrir que o arroio avolumou-se, tornou-se um rio devastador que vai encher de lama e soterrar os poucos bens de quem sempre teve muito pouco. Aqueles que compraram terrenos, com muita dificuldade, nas proximidades de barrancos verão suas moradias serem levadas pelo lamaçal megalodôntico, que pega telhados, paredes e pisos e, como um mágico destruidor, desaparece com tudo, em questão de segundos. Fica só a lama e sob ela os sonhos destruídos.

Na rede social, predomina a bagunça de sempre, o desordenamento informativo: promoção de loja de móveis (apresentadora circula entre sofás), história do samba paulista, montadora faz recall de airbags, viajantes passeiam por localidade italiana, nova rodada do campeonato paulista, propaganda da montadora Nissan, empréstimos consignados. 

A gente foge da rede social (Instagram) e corre para o jornal online. O veículo informativo põe um aviso, informando que quer saber a minha localização. Se eu permito ou bloqueio? Queria apenas ler a notícia, jornal, só isso. Novo clique e mais uma mensagem inquietante: "Deseja receber as notícias em tempo real? Agora não ou Ativar". É um inferno.

Tem uma série lançada em 2012, exibida atualmente pela HBO Max, intitulada "Newsroom", com o carismático Jeff Daniels, que faz o papel de um âncora de uma TV por assinatura. Mesmo sem ser novidade, a série toca em temas interessantes e atuais. O âncora despreza o jornalismo da fofoca, da notícia policialesca, da bobagem travestida de "informação". Ele quer questionar o poder, deseja jogar luz sobre um movimento do Partido Republicano, apelidado de "tea party", que ele considera um "novo talibã". O "tea party" - por sinal - tem um parente brasileiro que se chama bolsonarismo. O "tea party" defendia reduzir os programas de bem-estar social, opunha-se à reforma do sistema de saúde, queria menos intervenção do Estado na economia e, se pudesse, expulsaria todos os imigrantes sem documentos dos Estados Unidos. Era um movimento de extrema-direita, criado em 2009 e que lançou as raízes de uma nova direita, espalhada por países da Europa (Portugal tem o Chega), Itália, Espanha e que chegou ao poder no Brasil, em 2018, com a eleição de um deputado radical direitista do baixo clero, eleito presidente. A série "Newsroom" mostra principalmente a vontade do âncora de revolucionar a fórmula dos debates. Ao invés de um debate sonolento, orbitado por regras restritivas, ele desejava uma contenda de arguição incisiva, iconoclasta. O pessoal do Partido Republicano tirou da reta. 

Aproveitei esses dias pré-Carnaval para reler alguns livros de John Grisham. Se fosse resumir a obra dele em uma frase curta, diria: "O mal sempre vence".      

Achei esta imagem, que ilustra a postagem, significativa, dá ideia da bagunça que a gente tropeça no Instagram & Cia. por isso reproduzi aqui. Tem o aviso de "free royalties", significa que posso publicar, sem estar ferindo direitos autorais. Grato pelo designer que a produziu.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Nas redes sociais, predomina o caos e a censura

 


O tempo passa mais rápido. Uma espera de 30 minutos voa, enquanto o dedo vai deslizando as imagens. Uma fila de alpinistas aguarda para chegar ao topo do monte Everest; Ministério Público pede arquivamento de processos; quadrinhos coloridos contam uma piada sobre o caos climático; dengue e a vacina; dois lutadores se golpeiam, um deles nocauteia o outro; imagem de Paris; carro manobrando; imagem de Veneza e as gôndolas; dicas para deixar seus utensílios de prata brilhando; pressão alta; convite para visitar uma cidade; imagem de uma vila paradisíaca na Suíça...

A "linha do tempo" é uma sequência "linear" de imagens que se sucedem interminavelmente. A pessoa passa horas deslizando pela "linha do tempo". A própria pessoa contribui para alimentá-la. Posta imagens de um prato de comida, de um evento que participou, encena uma situação supostamente engraçada, compartilha cenas de desastres.

A rede social é um caos informativo. Embora se diga que os algoritmos reproduzem aquilo que seu perfil exige, acredite, isso é uma bobagem. Os algoritmos são sem noção. Durante anos, recebi vídeos de consumo rápido (chamados de "reels") com cavalos. Cavalos sendo amestrados, cavalos desfilando, cavalos comendo, cavalos, cavalos e cavalos. Tenho horror de andar a cavalo. Não tenho cavalo e mesmo assim o algoritmo acreditava piamente que eu era apaixonado por cavalos. 

Mesmo assim, a gente passa horas, dias, semanas, deslizando pela tela. A gente ri. Comenta algo com alguém. Encaminha uma informação. Digita, reclama, posta... É um turbilhão informativo, sem qualquer ordem ou classificação. Somos arrastados por ela, dominados por ela, a famosa "rede social".

Aparentemente, é um espaço democrático, onde você pode postar suas opiniões, divulgar suas ideias, expor seus ideais. Só que não é bem assim. A rede social é um espaço de vigilância constante. Se você publica algo que uma determinada maioria se posiciona de forma contrária, pode aguardar, você terá suas postagens censuradas.

No meio do caos informativo, prepondera a censura. Essa censura vem de "cima". Cai verticalmente sobre a sua cabeça. Você pode até tentar se defender. Envia e-mails, liga para conhecidos, procura o sindicato da sua categoria. Ao final, você será derrotado. A rede social não vai lhe dar ouvidos. Eles estão em um patamar superior à humanidade.

Você teve o seu blogue censurado pelo Facebook? Tudo bem, por que isso aconteceu? Difícil saber. O Facebook não tem telefone, não tem uma pessoa que vai ouvir seus reclamos. É uma parede. Rígida, imóvel, que não lhe deve qualquer satisfação. Embora a Constituição brasileira diga que todos os brasileiros têm direito à liberdade de expressão, o artigo quinto, parágrafo quarto é solenemente ignorado pela rede social. Basta um grupo reclamar em peso e seu pensamento será varrido pelo Facebook, Instagram et caetera.

Em 1º de outubro de 2023, publiquei neste blogue um texto, intitulado "Precisamos falar sobre o aborto". Provavelmente, grupos religiosos, que se opõem ao aborto, reclamaram em massa ao Facebook, que, sem sequer ler o artigo, sem entrar em contato comigo, simplesmente, proibiu a divulgação de minhas postagens. O texto teria ferido suscetibilidades. Na realidade, acredito que esse pessoal não se deu ao trabalho de ler o texto. Diante do título, foi correndo protestar e atendido, sem reservas e de forma imediata, pela rede social.

A rede social não é apenas caótica. É um organismo perigoso que fere a liberdade de expressão e não deve satisfação a qualquer organismo de classe. Mesmo assim, o mecanismo é hipnotizante. A gente não cansa de rolar a tal da "linha do tempo": imagem de Amsterdã com neve nas ruas; um hipopótamo briga com um tigre; um castelo; propaganda de uma montadora de veículos; entrevista de 1986 com Zeca Pagodinho; pauta do Noturno número 9 de Chopin; corrida de Fórmula 1; maestro regendo orquestra...

        

sábado, 20 de janeiro de 2024

Informática gera falsas acusações contra funcionários dos Correios ingleses

 

Somente agora governo britânico tomará medidas sobre os erros

Entre 1999 e 2015, 700 funcionários foram acusados de enfiar a mão na grana dos Correios ingleses. Eles faziam o balanço de caixa, mandavam para a matriz e o sistema de informática, o software Horizon, implementado pela japonesa Fujitsu, acendia uma luz vermelha e avisava a chefia: "Fulano está roubando". O funcionário era chamado às falas. Dizia que era inocente. O chefe ria e dizia: "Na cadeia, para onde você vai, todo mundo diz que é inocente". O funcionário era processado. Tinha de devolver o dinheiro "roubado". Perdia o emprego. Era julgado, condenado e preso. Passava a ser olhado de soslaio pelos amigos, parentes e vizinhos. Ficava com um carimbo na testa; "ladrão". 

Acontece que os 700 infelizes acusados de fraude, roubo e falsificação eram todos inocentes. Nenhum havia roubado os Correios da rainha. O software Horizon veio com um "erro de fabricação". Não passou por "recall" e a Fujitsu dizia que estava tudo certo, que o software era confiável e que os agentes eram mesmo um grupo de bandidos, ladrões, salafrários. Bom, é claro que a Fujitsu não usava esses termos, mas continuava apoiando cegamente seu Horizon até que descobriram que o programa era falho.

Uma série de TV, produzida pela britânica ITV, relata o drama que atingiu centenas de trabalhadores honestos. Chama-se "Mr.Bates vs The Post Office". É estrelada por Toby Jones, que faz o papel de Mr. Bates, o funcionário correto, indignado com as acusações levianas e sem fundamento e que move um processo contra The Post Office, que é o nome em inglês dos Correios.

Na semana passada, o primeiro ministro Rishi Sunak confirmou que prepara legislação para inocentar todos os acusados. Por enquanto, à medida que os processos rolavam na corte, os injustamente acusados iam sendo absolvidos. Na base do conta-gota. Agora, com a decisão do primeiro ministro, uma única canetada vai livrar a cara de todo mundo.

Muitos não suportaram as acusações e se suicidaram. Outros caíram em depressão. Não suportaram a vergonha, o vexame públicos. A série de TV ganhou audiência e trouxe o tema novamente para debate. Por isso, Sunak decidiu neste mês pela criação de legislação que inocenta os acusados.

Esse erro monumental, desastroso, provocado pela informática, me fez lembrar do início de carreira. Quando comecei no jornalismo, o repórter usava máquina de escrever e digitava sua matéria em um pedaço de papel chamado lauda. Algumas tinham 20 linhas, outras 25, marcadas em vermelho. Depois de escrever, o repórter corrigia o texto. Riscava. Escrevia por cima. Às vezes, batia um trecho à máquina, recortava e colava sobre a lauda original. Ficava uma nojeira. O texto ainda ia passar pelo copydesk, pelo revisor, pelo editor e ia ter muito erro pelo caminho.

Finalmente, vieram os computadores. Escrever ficou muito mais simples. O repórter abria o seu PC. Via a página já diagramada do jornal. E escrevia naquele espaço. Às vezes, o editor olhava e corrigia. Às vezes, não dava tempo. Simplificou. Aperfeiçoou o sistema. Só que não.

A informática enfiou também uma estaca de madeira nos jornais impressos. No Brasil, não se veem mais jovens andando com jornal debaixo do braço. Na Europa, é mais comum o pessoal comprar jornal na banca e levar para ler no café.

Sinto rancor da informática. Desprezo por ela ter destruído a cultura do papel e colocado no lugar a controversa "rede social". A série "Mr. Bates vs The Post Office" toca em um nervo sensível que é o erro. A tecnologia dos computadores parece acima do bem e do mal. É algo inatacável, "que veio para ficar", "que mudou o mundo". Mas também erra. E seus erros podem matar indiretamente humanos. Parece coisa do "Exterminador do Futuro". E olha que é isso mesmo.   

  

A primeira travesti do Bois de Boulogne

  Livro conta a história de Paul/Suzanne O escritor Marc Lefrançois ( marc.lef01 ) , autor de "Les grandes criminelles de l'Histoir...