| O então juiz Sergio Moro à frente de jornalistas. A seta aponta para a jornalista Malu Gaspar, de "O Globo" |
Quem é Galipolo? Ele é o presidente do Banco Central. Seria
ele quem teria condições de “salvar” o Banco Master da liquidação. Mas não foi
isso que aconteceu. O Banco Central liquidou o Banco Master e Daniel Vorcaro,
que era presidente da instituição na ocasião, foi preso pela PF (Polícia
Federal), em novembro.
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal
Federal) fez lobby para salvar o Banco Master, como afirma o jornal “O Globo”?
O ministro garante que não.
No dia seguinte da publicação de “O Globo”, Moraes emitiu
nota dizendo que não telefonou para Galípolo, para tratar do Banco Master.
Veja a nota do ministro:
"O Ministro Alexandre de Moraes esclarece que realizou, em seu
gabinete, duas reuniões com o Presidente do Banco Central para
tratar dos efeitos da aplicação da Lei Magnistiky. A primeira no dia
14/08, após a primeira aplicação da lei, em 30/08; e a segunda no dia
30/09, após a referida lei ter sido aplicada em sua esposa, no dia
22/09. Em nenhuma das reuniões foi tratado qualquer assunto ou
realizada qualquer pressão referente a aquisição do BRB (Banco de
Brasília)
pelo Banco Master.
“Esclarece,
ainda, que jamais esteve no Banco Central e que inexistiu qualquer ligação
telefônica entre ambos, para esse ou qualquer outro assunto. Por fim, esclarece
que o escritório de advocacia de sua esposa jamais atuou na operação de
aquisição BRB-Master perante o Banco Central",
As mesmas fontes, que teriam tido conhecimento do suposto lobby de
Moraes sobre o Banco Central, disseram que o ministro do STF foi
além e pressionou também a PF.
A articulista da “Folha”, Monica Bergamo, questionou o diretor geral
da PF, Andrei Rodrigues, sobre o suposto encontro de Moraes com
ele. Rodrigues disse que isso não aconteceu e que tinha ouvido esses
boatos.
O caso continuou repercutindo. Em 27 de dezembro, o
colunista da “Folha” Demétrio Magnoli escreveu um texto, desafiando o ministro
Alexandre de Moraes a provar que não tinha feito lobby sobre o presidente do
Banco Central, Gabriel Galípolo.
As redes antissociais foram à loucura, porque a afirmação de
Magnoli era realmente um disparate. A pessoa acusada é quem deveria provar que
não tem culpa; e não o acusador mostrar as suas provas. Na Justiça,
normalmente, ao acusador cabe o ônus da prova, a gente aprendia no primário.
O ministro Alexandre de Moraes notabilizou-se pela salvaguarda
da democracia brasileira. As suas atitudes, a sua firmeza, a sua coragem foram
determinantes para expor, julgar e condenar os golpistas, que tentaram demolir
a nossa ainda frágil democracia. O Brasil tem uma dívida histórica para com o
ministro Alexandre de Moraes.
Ocorre, no meio desse caminho, um problema de ordem ética. O
ministro é casado com a advogada Viviane Barci de Moraes. O escritório de
advocacia dela tinha fechado um contrato de 129 milhões de reais com o Banco
Master (remuneração mensal de 3 milhões e 600 mil por três anos, de acordo com
o Uol).
Segundo o “Estadão”, Viviane Barci tinha 27 casos a serem julgados no STF, antes da posse de seu marido no Supremo. Após a posse dele, o
total de casos subiu para 152. Não é ilegal a esposa de Moraes ter 152
processos em julgamento no STF.
Em 2023, o STF julgou que a regra que impedia juízes de
julgar casos, em que clientes de escritórios de seus parentes (até terceiro
grau) atuavam, era inconstitucional, pois era impossível o juiz saber de todos
os clientes de todos os escritórios de seus familiares.
Não é ilegal para a esposa do ministro ter 152 processos em
julgamento no STF, é fato, no entanto, não pega bem para a imagem do ministro.
Dá impressão de favorecimento, de uma espécie de nepotismo enviesado. Entendo
que a esposa do ministro tem direito de exercer sua profissão e que seria
inconstitucional impedi-la de advogar para seus clientes no STF. Mas, se eu
fosse o ministro, pediria para ela passar para outro escritório, de algum
advogado parceiro, esses casos que dependem de julgamento no Supremo. O
escritório de advocacia dela vai perder dinheiro? Sim, vai perder, mas a imagem
do ministro não pode ser prejudicada. A democracia brasileira é devedora de
Moraes. Por isso, tudo que possa macular sua imagem precisa ser retirado do
quadro.
Em relação à articulista de “O Globo” Malu Gaspar, ela tem
sido “metralhada” nas redes antissociais. Dizem que ao contrário do ex-juiz da
Lava-Jato Sergio Moro que lhe passava “quentinhas exclusivas” (notícias que
ninguém tinha, só ela), Moraes nunca lhe passou qualquer furo jornalístico. Por
isso, ela teria uma dívida de “ingratidão”, em relação ao ministro do Supremo.
As postagens no Instagram (etc.) cobram de Malu Gaspar “as provas” de que
Moraes teria feito mesmo lobby a favor do Banco Master. E a maioria diz que ela
é “amiguinha” de Moro. Tem até uma foto de Malu ao lado de Moro, sentado como
se fosse um rei, cercado por uma corte de "admiradores" (na realidade, jornalistas). A foto refere-se, na realidade, a uma entrevista de Moro concedida ao programa "Roda Viva", em 20 de janeiro de 2020.
A informação da articulista de “O Globo”, colocando Moraes
na linha de fogo como lobista, veio quando mais se falava do senador Sergio
Moro pelo partido União Brasil.
Acontece que a Polícia Federal fez uma busca e apreensão na
13ª Vara Federal de Curitiba, em 3 de dezembro último, descobrindo que o
ex-juiz Sergio Moro grampeava autoridades com foro privilegiado. A ação da PF foi autorizada pelo ministro Dias Toffoli do
Supremo.
Os grampos eram ilegais.
Nessa mesma operação, a PF descobriu um vídeo, intitulado “Festa
da cueca”. A filmagem, segundo noticiaram os veículos de comunicação, mostrava
garotas de programa com autoridades do judiciário, em nível hierárquico superior
ao do então juiz Sergio Moro. De acordo com analistas políticos, Moro usaria
esse vídeo dos magistrados com as putas para chantagear desembargadores que
deveriam analisar seus procedimentos jurídicos.
Depois da “bomba” jornalística, lançada por Malu Gaspar
contra Moraes, as notícias da “Festa da cueca” e as acusações contra Moro foram
caindo em “esquecimento” provisório. Será que foi uma simples coincidência?
Nunca um ano demorou tanto pra acabar. Vou te contar...